FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Boulos defende redução nas desonerações fiscais e mais investimentos do setor público

Pré-candidato do PSOL participou de encontro promovido pela Associação Comercial do Rio (ACRJ)

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 20h47

RIO DE JANEIRO - O presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) defendeu, para uma plateia de empresários, reduções nas desonerações fiscais, mais investimentos do setor público e o combate a privilégios econômicos de empresários, em encontro promovido pela Associação Comercial do Rio (ACRJ), nesta terça-feira, 31.

Boulos também disse o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em seu eventual governo, seria um banco de fomento para pequenas e médias empresas e não para financiar grandes corporações, "que já têm suas fontes próprias para financiamento no mercado", assinalou.

Os empresários ouviram as propostas de Boulos com atenção durante toda a sabatina, que faz parte do ciclo "Brasil em Debate", promovido pela ACRJ entre os presidenciáveis. Porém, alguns empresários comentaram entre si que divergiam dos argumentos do presidenciável.

Boulos defendeu que medidas como as desonerações fiscais concedidas às empresas tenham contrapartida social justificada no ponto de vista de geração de emprego. "Arrisco a dizer que a maioria das desonerações feitas hoje é para o favorecimento no varejo de determinados setores econômicos. No meu governo, elas serão revogadas, revistas, porque não fazem sentido", disse.

O candidato também declarou que a reforma trabalhista feia pelo governo do presidente Michel Temer informaliza a economia e reduz a arrecadação da Previdência Social. Além disso, defendeu que o que chamou de "abismo salarial" entre categorias profissionais – citou juízes e professores – diminua no País.

O único momento em que Boulos foi aplaudido pela maioria da plateia foi quando falou sobre segurança pública. Apesar de o público fazer comentários a favor da intervenção federal do Rio, o candidato agradou à plateia ao dizer que o foco seria investir na inteligência da área. "Devemos enfrentar o tráfico de armas para fazer com que os fuzis não cheguem a quem está dando tiro em quem está dando tiro" , disse, seguido de aplausos. Ao final da sabatina, a presidente da associação, Ângela Costa, disse que em alguns pontos a associação diverge de Boulos, mas que essa é "a riqueza do debate".

"Queríamos que trouxesse suas propostas para termos esse conhecimento. Saímos daqui bastante enriquecidos com essa nova visão, com pontos que nós aqui da associação estamos acostumados a tratar, que nos traz a pensar", ponderou.

Já Boulos disse a jornalistas que sua presença entre os empresários foi importante em um ambiente "que tem gente querendo fazer do debate eleitoral uma arena de ódio". "Alguns colocam a raiva no lugar do debate. Viemos aqui para mostrar que a gente sabe dialogar", disse.

Segundo a associação, o objetivo destes encontros é discutir temas que são considerados prioridade para a ACRJ nas eleições 2018, como a intervenção federal na segurança pública, a questão de o Rio de Janeiro ser a porta de entrada do turismo internacional e a regulamentação "excessiva" do ambiente de negócios.

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