WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Bolsonaro tem encontro com empresários e faz aceno a Flávio Rocha para ministério

Entre os nomes que conversaram com o presidenciável do PSL, estavam o dono da construtora Tecnisa, Meyer Nigri; o dono da Centauro, Sebastião Bomfim Filho, e o presidente do conselho da Localiza, Salim Mattar

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2018 | 21h57

O deputado Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, ampliou os esforços para conquistar apoio do empresariado com um encontro na sexta-feira passada em São Paulo. O evento, que ocorreu na manhã seguinte ao primeiro debate entre presidenciáveis na TV, reuniu cerca de 60 representantes do setor produtivo e foi organizado por Fabio Wajngarten, dono de uma empresa de pesquisas de audiência e colaborador da campanha de Bolsonaro, e reuniu empresários e executivos interessados em ouvir as propostas de governo do deputado.

Dono da rede varejista Riachuelo, Flávio Rocha ocupou lugar de destaque na plateia que se formou ao redor do candidato. Sentou-se ao lado do candidato, a pedido do próprio Bolsonaro. Durante o encontro, Wajngarten chegou a sugerir que Rocha compusesse o futuro ministério de Bolsonaro. A sugestão foi aplaudida e o deputado reagiu positivamente à ideia. Rocha não quis comentar sobre o assunto. 

O empresário chegou a se lançar como pré-candidato pelo PRB, mas recuou da empreitada. Seu partido fechou apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) juntamente com outros partidos do chamado Centrão. Em conversa com o Estado, Rocha afirmou que esteve no evento, mas que não tem posição fechada em relação à corrida presidencial. "Acho que estamos numa situação que faz todo sentido o voto útil", limitou-se a dizer.

Entre os presentes, além de Rocha, estavam nomes como o dono da construtora Tecnisa, Meyer Nigri; o dono e presidente do conselho de administração da rede varejista Centauro, Sebastião Bomfim Filho; e o sócio e presidente do conselho de administração da Localiza, Salim Mattar.

“Bolsonaro impressiona pela proposta de ruptura ao modelo de condução política do País. Será um defensor dos valores conservadores na família e possui uma proposta liberal na economia”, afirmou Mattar ao Estado.

O empresário enfatizou que apoia a candidatura de João Amoêdo, do Novo, mas disse que gostou de conhecer Bolsonaro. “Pela primeira vez na minha vida vi um candidato dizer que não precisa de dinheiro dos empresários e sim de apoio e voto”, disse Mattar.

Se não converteu o presidente do conselho da Localiza, Bolsonaro conseguiu atrair o dono da rede Centauro. Sebastião Bomfim Filho declarou sua intenção de votar e apoiar a candidatura do ex-capitão do Exército. “Vi um cara com posições fantásticas”, disse. “Em outubro, vou de Bolsonaro. Está decidido.”

Com o evento, Bolsonaro tenta aumentar a adesão à sua candidatura e reduzir a desconfiança do empresariado. Como revelou o Estado, o candidato do PSL reuniu-se em julho com grandes empresários a convite de Abilio Diniz. Na ocasião, estiveram presentes Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco; David Feffer, presidente do conselho da Suzano, José Roberto Ermírio de Moraes, do Votorantim, entre outros nomes de peso.

O encontro de sexta-feira teve um público maior, mas ocorreu sem alarde tal como o patrocinado por Abilio. Durou cerca de duas horas, com Bolsonaro respondendo a perguntas dos convidados de maneira informal. “Muitos queriam essa possibilidade de ter um encontro ao vivo e ouvi-lo. Nos preocupamos em ser algo rico em conteúdo. Foi um encontro descontraído, sem cronômetro, em que ele pôde se apresentar e falar sobre um número grande de temas”, disse Wajngarten.

Bolsonaro fez um discurso moldado à plateia e enfatizou sua adesão ao ideário liberal na economia. Ele se disse favorável, por exemplo, à análise da venda de algumas partes da Petrobrás. Também manifestou concordar com a associação entre a Embraer e a americana Boeing diante do aumento da concorrência no setor de aviação. O deputado, que discursou por cerca de 50 minutos, voltou a falar, contudo, que é preciso brecar o avanço da China, que tem adquirido terras no Brasil.

Parte do público manifestou dúvida sobre como o candidato, que pertence a um partido pequeno e não fez coligações, conseguirá viabilizar seu programa de governo caso seja eleito. Bolsonaro afirmou que, nas contas de seu grupo, há cerca de 100 parlamentares do atual Congresso que já estão com ele. O candidato afirmou ainda que terá o apoio das chamadas bancadas da bala, do boi e da bíblia - parlamentares que apoiam, respectivamente, empresas de armas, ruralistas e a agenda religiosa. Nas contas dos aliados de Bolsonaro, esses grupos conservadores garantirão a governabilidade.

Bolsonaro foi ao evento acompanhado do filho Eduardo e de Major Olímpio, ambos deputados pelo PSL. Também compôs sua comitiva o aliado general Augusto Heleno, filiado ao PRP, que chegou a ser cotado como vice.

O general, que é apontado como futuro ministro num eventual governo Bolsonaro, falou ao grupo de empresários. Fez a defesa da exploração de riquezas na Amazônia, que, segundo ele, poderia render trilhões de reais ao País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.