Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Bolsonaro sugere fechar escolas do MST: 'fábrica de guerrilheiros'

Durante entrevista em emissora de televisão, candidato do PSL ainda afirmou apresentar uma nova proposta para a reforma da Previdência no ano que vem, caso seja eleito

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 21h29

O candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, disse em entrevista exibida na noite desta quinta-feira, 25, na TV Aparecida, que é necessário o fechamento de escolas em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A declaração se deu após Bolsonaro explanar a ideia de propor educação a distância para crianças em áreas rurais.

"Queremos por um ponto final nas escolinhas do MST. A bandeira que eles hasteiam não é a verde e amarela, é a vermelha com uma foice e um martelo. Lá eles não aprendem o Hino Nacional, eles aprendem a Internacional Socialista. Eles estão formando uma fábrica de guerrilheiros no Brasil", afirmou.

O candidato criticou mais uma vez os esquerdistas. "São malandros que nunca trabalharam na vida, sempre viveram às custas dos outros. Isso tem de acabar no Brasil e vai acabar na forma da lei, se eu for presidente da República", afirmou.

Bolsonaro acusou ainda o PT de ser corrupto e que o partido vai ser afastado do poder com notícias verdadeiras. "Não precisa de fake news para derrotar o PT, é só dizer a verdade", disse.

O capitão da reserva disse ainda que lamenta "casos de violência isolados". "Eu tenho dito para a minha militância... Começou uma discussão sobre política numa mesa, vai embora, vai para outro lugar", disse. 

Em relação à reforma da Previdência, o candidato revelou que a equipe econômica que o assessora já tem um rascunho. "Se eu for eleito, a gente apresenta no ano que vem", afirmou. O político não deu detalhes sobre as mudanças que pretende apresentar, mas sinalizou que as regras podem ser distintas para cada grupo social. "Não pode colocar todo mundo no mesmo saco. Eu acho, por exemplo, que tem de mexer na idade, mas não de 60 para 65 como quer (o presidente Michel) Temer. Nós vamos cortar privilégios", disse.

Bolsonaro voltou a defender também que membros das Forças Armadas e de segurança pública se mantenham com critérios distintos, a não ser que eles tenham direito a greve, entre outros. "Eu já disse isso à minha equipe econômica. Eu topo (uma reforma da Previdência), mas vamos dar todos os direitos a eles, inclusive de greve. Tem de fazer que eles, ao longo de sua vida laborativa, tenham os mesmos direitos que um trabalhador comum", disse. 

O candidato também negou o rótulo de xenófobo, acusando a esquerda de querer o associar a ele. O presidenciável citou que tentam impor nele tal marca porque propõe que "a entrada de venezuelanos seja regularizada".

Especificamente sobre a crise da Venezuela, o candidato do PSL afirmou que o governo tem de procurar a ONU para criar "campos de refugiados". Também houve críticas à Lei de Migração brasileira. "Nós somos um País que não pode ser de fronteiras abertas", afirmou. 

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