Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro se defende de acusação de jornal e diz que maior criador de fake news é o PT

Presidenciável também criticou atuação do jornal e admitiu que equipe médica declarou-o 'apto com restrição' para comparecer aos debates

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2018 | 21h58

RIO - O candidato do PSL à Presidência da República nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, realizou nesta quinta-feira, 18, uma transmissão pelo Facebook para se defender de acusações feitas pelo jornal Folha de S.Paulo, que acusou a campanha do ex-capitão do exército de receber recursos de empresários para propagar notícias falsas pelo WhatsApp em reportagem desta quinta.

“A Folha de São Paulo, sempre a Folha de São Paulo... é um jornal que realmente cada vez se afunda mais na lama. Eles publicaram matéria dizendo que empresários bancam campanha contra o PT, me acusam de estar fomentando isso junto ao empresariado, mas não temos necessidade disso”, afirmou ao lado do filho Eduardo Bolsonaro, que também criticou a matéria da Folha que o acusava de fazer viagens pagas pela Câmara dos Deputados para ter aulas de tiro em Santa Catarina.

O candidato à Presidência rebateu todas as acusações do jornal paulista afirmando que não precisa de “fake news” para combater o candidato Fernando Haddad, que por sua vez seria o grande propagador de mentiras nas redes sociais. Segundo ele, o PT vem espalhando que ele pretende proibir o vídeo game, “para me indispor com a garotada”, ou que iria colocar o ator pornô e deputado federal eleito por São Paulo Alexandre Frota no Ministério da Cultura. “Isso foi um vídeo de galhofa que eu fiz com o Frota”, garantiu.

“Não tem prova de nada e a Folha fica jogando nesse time do Haddad. As verdades são mais do que suficientes, todos vocês se lembram de 13 anos do PT, aí sim tem Caixa 2, corrupção generalizada, assalto a estatais, quebra de fundos de pensão, doação do dinheiro do BNDES para ditaduras de todo o Brasil, esse é o PT”, afirmou na transmissão que durou 20 minutos.

Ele disse que as “fake news” partem do adversário, e não dele, e citou como exemplos supostas notícias que estariam circulando nas redes sociais contra a sua candidatura. “Os fake news do Haddad contra mim, sim, falou que vou acabar com o Ministério da Educação, isso é coisa de canalha, vagabundo, canalha”, disparou. “Dizem que vou liberar caça no Brasil, aquele vídeo editado era uma caça ao javali, que mata gente e é uma praga no campo, é javali e ponto final, não temos como conviver com javali, isso é coisa de canalha sem vergonha”, voltou a xingar.

Ele negou também que vá instituir o ensino a distância no País, afirmando que só valerá para “escolas rurais”, principalmente onde houver “os sem terrinhas”, que, segundo Bolsonaro, são doutrinados pelos socialistas do PT em escolas onde não existe bandeira do Brasil, “só bandeiras vermelhas”.

“Existem duas mil escolas rurais do MST, os sem terrinhas, eles não cantam hino nacional , cantam a nacional socialista, a bandeira que hasteiam é vermelha, não é a verde amarela. Nós queremos salvar essa garotada”, afirmou.

Debate. Ao contrário do que foi divulgado pela equipe médica que esteve nesta quinta-feira examinando o candidato, Bolsonaro informou que foi considerado “apto com restrição”.

“Não recomendamos que faça esforço prolongado, disseram, estou com a bolsa de colostomia , tem 35 pontos aqui, por causa de uma rinite Haddad tirou 7 dias de licença quando era prefeito”, disse, fazendo questão de mostrar a bolsa que carrega desde que fez duas operações por conta de uma facada durante campanha eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais, no mês passado.

“Querem que eu vá ao debate, posso ter problema com a bolsa de colostomia, e para que? Para debater com um poste?”, questionou, dando a entender que poderia ser vítima de outro atentado à sua vida se comparecesse ao debate ou mesmo viajasse para outro estado em campanha. Segundo Bolsonaro, a eleição ainda não está ganha e a campanha vai seguir em frente, apesar das denúncias. 

 

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