Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Bolsonaro 'pulveriza' manifesto e começa divulgação nas redes sociais

Campanha tenta manter eleitores radicais enquanto procura reduzir imagem antidemocrática do candidato

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2018 | 20h59

BRASÍLIA - Depois de divergências na campanha, a equipe do candidato do PSL ao Palácio do Planalto nas eleições 2018, deputado Jair Bolsonaro, começou a divulgar nesta terça-feira (25), de forma pulverizada, o manifesto para tentar neutralizar críticas e amenizar a imagem de antidemocrático e radical do presidenciável.

Nas primeiras mensagens divulgadas no Twitter, a campanha procurou mostrar um candidato crítico a divisões da sociedade e destacou que, em um eventual governo, o Bolsa Família será mantido. Na edição da última segunda-feira, o Estado informou que o formato do chamado “Manifesto à Nação” ainda estava em discussão na campanha. O documento sempre dividiu o grupo de Bolsonaro, que teme perder eleitores mais radicais.

As versões do material preparadas por aliados próximos do candidato e que estão sendo avaliadas por ele tentam ainda reduzir críticas por declarações polêmicas nas questões de gênero e na área econômica. O próprio Bolsonaro reiterou que um documento nos moldes da “Carta ao Povo Brasileiro”, divulgada em 2002 pela campanha do petista Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência para acalmar o mercado, poderia irritar o eleitorado conquistado ao longo dos últimos anos pelo candidato, mais crítico ao PT. Assim, a campanha começou a preparar mensagens com intuito de não perder o tom de crítica à esquerda.

As mensagens divulgadas na rede social têm um formato diferente – trazem uma foto do candidato e o texto entre aspas, como se fosse uma frase, assinada por Jair Bolsonaro.

“Muitos miram propositalmente na divisão da sociedade, resultando na luta de classes e no enfraquecimento de nossos valores”, destacou o candidato em uma das mensagens. E continuou: “Pessoas divididas, sem identidade familiar e cultural, são mais fáceis de serem controladas. É o plano perfeito para quem quer se perpetuar no poder.”

Já na mensagem sobre o principal programa social dos governos petistas, o Bolsa Família, a campanha voltou a enfatizar a necessidade de investigar desvios de recursos, sem prejuízo para as famílias que dependem do benefício. “As fraudes no Bolsa-Família são comuns. São milhões que deixam de chegar à que realmente precisa”, ressaltou o texto. “A destinação correta resultará num grande impacto financeiro positivo e de ajuda para quem realmente precisa.”

 

 

 

 

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