Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro mantém tradicional 'vaivém nos ataques que faz às instituições', avalia cientista político

Para outro cientista, o público restrito em ambas manifestações não deve ser visto como sinal de enfraquecimento de Bolsonaro ou Lula

Cristina Canas, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2022 | 22h14

Pouco empenho na organização, tanto dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro quanto da base do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), explica o pequeno porte das manifestações deste Dia dos Trabalhadores, na avaliação do cientista político Ricardo Ribeiro, sócio da Ponteio Política. O analista destaca, no entanto, que, mesmo de improviso, Bolsonaro "manteve o seu tradicional vaivém nos ataques que faz às instituições".  

Ribeiro considerou importante o fato de o presidente ter comparecido pessoalmente ao movimento de Brasília e, por vídeo, no ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo ele, Bolsonaro "deu aval a mensagens golpistas".

"Isso mantém a preocupação em relação ao ambiente político e institucional durante o período eleitoral", avalia, destacando que o pouco empenho na organização das manifestações pró-Bolsonaro não significa que o poder de mobilização da base do presidente caiu. "Agora tudo foi mais improvisado do que em 7 de setembro", disse.

O público restrito era esperado e não deve ser visto como enfraquecimento da base de apoio dos dois postulantes à eleição deste ano. Muito menos como um espaço para o crescimento de uma terceira via, na avaliação do também cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria.  

"É difícil manter gente na rua. Aos olhos do eleitor, a campanha está distante. O Bolsonaro vem subindo nas pesquisas e Lula se mantém estabilizado. Não é perda de fôlego. A campanha ainda é longa e não está presente na cabeça do eleitor; está mais na classe política. O que vimos não é nada preocupante para nenhum dos dois lados", disse.

Na percepção de Cortez, Bolsonaro parece ter um discurso mais claro neste momento. "A estratégia é recuperar temas associados à eleição de 2018, que precisam ser alimentados junto à base bolsonarista e o episódio do Daniel Silveira é o mais recente para relembrar e mobilizar esse eleitorado."

Já a candidatura petista tem dois desafios, na avaliação de Cortez. O primeiro é optar entre uma campanha de esquerda ou fazer sinalizações a outros grupos e com isso ampliar a base - caminho iniciado com a escolha de Geraldo Alckmin (PSB) para vice da chapa. "Mas isso não é suficiente, é necessário materializar o Alckmin na campanha", explicou.

Sobre o discurso de Lula na manifestação organizada pelas centrais sindicais em São Paulo, Ribeiro diz que a repetição foi a marca. "Não teve novidades e o discurso do Lula é repetitivo, com afirmações que já fez e uma retórica voltada ao público sindicalista que estava lá", afirmou, acrescentando que "o tom sindical não favorece a ampliação da base necessária para derrotar o Bolsonaro".

Para Ribeiro, os eventos deste domingo não trouxeram nenhuma surpresa. "E isso é bom porque, se houvesse, seria provavelmente negativa", completa. Já para Cortez, os atos do Dia do Trabalhador são uma oportunidade para os dois lados acertarem seus discursos, "principalmente na candidatura do Lula".

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