Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

'Bolsonaro é quem dará o tom de um país pacificado', diz Doria 

Candidato do PSDB ao governo de São Paulo cita presidenciável do PSL diversas vezes em entrevista a rádio; Márcio França (PSB) afirma que está com pneumonia

Luana Pavani e Ana Paula, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2018 | 10h10

Em entrevista à rádio Jovem Pan na manhã deste sábado, 27, o candidato ao governo de São Paulo João Doria (PSDB) citou diversas vezes o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). "Nós vamos apoiar o governo de Bolsonaro para garantir a estabilidade política no País. Será ele (Bolsonaro) que dará o tom de um país pacificado". 

O presidenciável foi mencionado inclusive em sua resposta sobre vídeo que circulou em redes sociais supostamente com o candidato paulista envolvido numa orgia sexual. "Não é possível que o Brasil tenha consolidado a democracia para viver esse tipo de eleição (...) Bolsonaro também foi vítima de fake news". 

O ex-prefeito também criticou o oponente Márcio França (PSB), a quem havia tentado vincular a responsabilidade pela divulgação do vídeo polêmico. "Foram quase 30 dias de massacre." 

Mais à frente na entrevista, questionado sobre como se daria o relacionamento com França, que é o atual governador, respondeu que buscará o diálogo. "Tenho grandeza, tenho altivez. Não faço política pelo ódio, o diálogo se manterá".

Entretanto, em diversas ocasiões, Doria reclamou do fato de França não ter abandonado o governo para sair em campanha. "Temos de rever a legislação eleitoral. Não é possível que um vice possa fazer campanha no exercício de seu mandato. Não é justo. Eu saí", disse, referindo-se à transmissão da prefeitura a Bruno Covas (PSDB) para se lançar ao governo do Estado.

Hoje o adversário está na inauguração da estação de metrô Morumbi, da linha Amarela. "Ele não poderia estar fazendo essa inauguração pela lei eleitoral", afirmou, frisando que a obra é da gestão Geraldo Alckmin. O candidato defendeu o modelo de Parcerias Público Privadas (PPPs) para metrô, e disse que cada nova estação terá uma creche no local para atender 150 crianças, além de galerias comerciais ou shoppings e também opção de moradia popular na parte superior do terminal intermodal.

De modo amplo, defendeu privatizações, e usou a oportunidade para alfinetar França e partidos socialistas. "Os invasores serão tratados como criminosos. Já tratei disso com o agronegócio".

Doria citou a política do governo PT para energia elétrica, que rompeu o marco jurídico na gestão de Dilma Rousseff. "Não podemos quebrar contratos. Vamos trazer grandes investidores a São Paulo. Confio muito no Paulo Guedes, a quem conheço há mais de 20 anos, espero poder fazermos isso juntos."

Ainda sobre o economista que está sendo cotado por Bolsonaro como eventual ministro da Fazenda Guedes, o candidato ao governo paulista contou que conversou com ele sobre a descentralização da gestão de recursos. "Guedes me disse claramente que fará o pacto federativo", explicando ao ouvinte sobre a forma de destinação das verbas para os governos estaduais.

Doria encerrou a entrevista pedindo votos também a Bolsonaro, embora não seja esta a postura oficial do PSDB, como notou anteriormente o historiador Marco Antonio Villa, a quem o candidato ironizou dizendo saber que ele não votaria no PT. "Deus me livre ter o PT de novo, com um fantoche como Fernando Haddad, a quem tive o prazer de derrotar em São Paulo. Chega de petistas e vigaristas."

Pneumonia

O candidato ao governo do estado de São Paulo, Márcio França (PSB), está com pneumonia nos dois pulmões. O estado de saúde de França está sendo acompanhado pela equipe médica do Palácio dos Bandeirantes. Ele já tomando  antibióticos.

Em entrevista à Rádio Jovem Pan, França comentou: "A pneumonia veio pesada, pegou os dois pulmões, minha mulher falou que, se eu sair, não volto mais. Eu tinha uma bicicletada prevista em Santos, hoje está chovendo, não vou conseguir fazer. Mas vou lá descer (para Santos) porque vou ver minha mãe, todo ano eu vou. É dia de São Judas, meu pai era devoto, eu vou lá visitar a igreja de São Judas. (...) A gente relaxou na campanha, acabou que pegou os dois pulmões".

Médicos do Palácio dos Bandeirantes recomendaram ao candidato repouso. Neste sábado, 27, ele irá a São Vicente, no litoral paulista, almoçar com a mãe e retorna a São Paulo no fim de tarde.

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