Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro diz que pretende ir a todos os debates na eleição

Presidente afirma que 'vai responder realmente' o que fez e o que 'está deixando para o Brasil'; em 2018, Bolsonaro compareceu a apenas dois debates

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 10h44

BRASÍLIA — Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto até este momento, o presidente Jair Bolsonaro disse  que pretende ir a todos os debates da eleição. Bolsonaro alegou que sua ausência nos debates da campanha de 2018 foi motivada pela facada recebida em setembro daquele ano, embora a decisão de interromper sua participação tenha sido tomada antes, por uma questão de estratégia.

“Eu pretendo ir a todos os debates. Em 2018, eu compareci a dois e depois tive uma crise, levei uma facada. Eu sobrevivi por milagre”, afirmou o presidente em entrevista à Gazeta Brasil, um site que o apoia.

Pesquisa estimulada divulgada nesta quarta-feira, 12, pela Genial/Quaest mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria no primeiro turno se as eleições fossem hoje. Realizado entre os dias 6 e 9 deste mês, o primeiro levantamento deste ano eleitoral indica que Lula tem 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro – recentemente filiado ao PL – aparece em segundo lugar, com 23% das preferências.

O ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro (Podemos) ocupa a terceira posição, com 9%. Logo atrás, ainda no campo da terceira via, vêm o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 5%; o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 3%, e a senadora Simone Tebet (MDB), com 1%. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e o cientista político Luiz Felipe d’Ávila (Novo) não marcaram pontos.

Nesse cenário, Lula venceria no primeiro turno porque o porcentual obtido por ele (45%) é de quatro pontos a mais do que a soma das intenções de voto dos outros candidatos.

Bolsonaro disse que, no momento do debate, estará “muito melhor preparado” do que seus adversários, especialmente na comparação com governos anteriores. “Eu não vou ficar na armadilha de ficar discutindo ali besteira. A gente vai responder realmente o que nós fizemos e o que estamos deixando para o Brasil”, afirmou o presidente.

Na segunda-feira, 10, Bolsonaro já havia dito que seus adversários vão se surpreender nesta campanha ao ver que não conseguirão encurralá-lo. Em novembro do ano passado, porém, ele havia dito que pretende participar de debates para falar do seu mandato. “Da minha parte, não vai ter guerra. Eu tenho quatro anos de mandato para mostrar o que fiz. Agora, eu não posso aceitar provocação, coisas pessoais, porque daí você foge da finalidade de um bom debate”, disse ele na ocasião. “Que não entrem em coisas de família, de amigos, porque vai ser algo que não vai levar a lugar nenhum."

Filiado ao PL desde novembro, Bolsonaro voltou a justificar sua aliança com o Centrão, nesta quarta-feira. “Eu já fui do centro. Já fui do PP, do PTB, do então PFL. E nós estamos fazendo a nossa parte. Não é fácil”, argumentou. No começo da semana, o presidente já havia tentado explicar sua filiação ao PL, partido comandado por Valdemar Costa Neto, que foi preso e condenado no escândalo do mensalão. "Vocês votaram em um cara que foi do Centrão", insistiu Bolsonaro.

Em alguns momentos da entrevista desta quarta-feira, o presidente chegou a usar a expressão “caso eu seja candidato”, apesar de admitir que irá em todos os  debates na eleição.

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