Fernando Souza / AFP
Fernando Souza / AFP

Bolsonaro defende Paulo Guedes e diz que foi ato falho dele falar em recriação da CPMF

Em entrevista à rádio Jovem Pan, o candidato disse ainda que não terá o rótulo de 'Jairzinho paz e amor' nessa campanha

Elizabeth Lopes e Renata Pedini, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2018 | 10h05
Atualizado 08 Outubro 2018 | 15h49

Em entrevista ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, disse que não se pode continuar com a política implantada pelo PT. Indagado sobre o mercado financeiro estar animado com o resultado que ele teve nas urnas e se Paulo Guedes terá espaço pra falar de suas propostas, Bolsonaro disse que a ideia é estar ao lado de Guedes; "Quando ele falou de CPMF foi um ato falho dele, ninguém quer, não volta porque é um imposto injusto. Vi Alckmin [candidato do PSDB, Geraldo Alckmin] dar pancada em mim. Pedi pro Mourão ter cuidado com as palavras", emendou.

Segundo o capitão da reserva, Guedes quer diminuir o número de impostos. "Da minha parte, não volta CPMF, porque acho que é imposto injusto." Bolsonaro afirmou que esteve com Guedes domingo, 7, e estará com ele na terça-feira, 9.

"Tenho conversado com a equipe economia: eu dou os ingredientes, quem faz o bolo são eles. Entender de economia no Brasil não é fácil", disse o candidato. "Fui criticado quando disse que não entendia. Pensei que fosse um ato de humildade. Assim como não entendo de saúde, de medicina, e vamos trabalhar nessa área", prosseguiu.

Ele afirmou que na quarta-feira, 10, vai ser reavaliado por uma equipe do Hospital Albert Einstein e que pretende voltar a viajar pelo Brasil em seguida. Ele disse que vai fazer carreatas, discursar em carros de sons, mas que não poderá ter contato físico com os eleitores.

Sobre debates, ele disse que acha que "dá para participar". "Debater com o PT não tem dificuldade. O que o PT fez ao longo de 13 anos está fresco na memória de todos", comentou.

Questionado sobre apoios no Congresso, ele mencionou a bancada do agronegócio, e comentou a política de expropriação de terras agrícolas relacionadas ao trabalho escravo. 

"A bancada do agronegócio quer segurança jurídica, hoje em dia o MST pode invadir as fazendas, ou ser demarcardo como terra indígena. Chegamos a um ponto em que a Funai tem que dar laudos se se pode fazer obra em tal área. Não podemos trabalhar dessa maneira. Se um fazendeiro pratica trabalho escravo, não se pode expropriar e punir filhos, esposa e netos que dependem da fazenda. O que é mais grave: em cima do ativismo judicial, dizem que o trabalho análogo à escravidão é escravidão, e o processo também parte para a expropriação de imóveis. Isso não pode continuar acontecendo. Tem que punir o trabalho escravo, mas não dessa forma", disse o candidato.

Ele também mencionou o apoio da bancada evangélica e preocupações de parlamentares com segurança pública. "Diminuir violência não é com audiência de custódia, não é com política de desencarceramento. Tem que reduzir a maioridade penal. Isso a gente vem conversando. Chegamos já a 120 e poucos parlamentares favoráveis."

Bolsonaro disse ainda que não terá o rótulo de "Jairzinho paz e amor" nessa campanha. "Tenho que continuar sendo a mesma pessoa", disse. E afirmou que ao falar que a filha foi resultado de uma fraquejada, "foi uma brincadeira".

Depois de descartar esse rótulo, Bolsonaro disse novamente que não concorda com o que classificou de "kit gay" nas escolas. "Não podemos achar que os gays podem ter superpoderes", disse na entrevista. "A maioria dos gays votam comigo, tenho certeza disso", concluiu. / Colaborou Guilherme Sobota

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