Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Bolsonaro critica 'Acordo de Paris' e diz que não vai fechar fronteira com a Venezuela

Candidato do PSL à Presidência da República e líder nas pesquisas de voto diz que acordo pode ameaçar soberania brasileira sobre a Amazônia e que 'não seria a melhor medida' bloquear a fronteira com o território venezuelano

Fábio Grellet/RIO, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2018 | 17h39
Atualizado 26 Outubro 2018 | 12h32

Em rápida entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira, 25, na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico (zona sul do Rio), o candidato do PSL à Presidência da República Jair Bolsonaro falou um pouco sobre política internacional. Bolsonaro, que mais uma vez apareceu na frente de Fernando Haddad (PT) na última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, fez críticas ao Acordo de Paris e afirmou que não vai fechar a fronteira com a Venezuela. “É uma fronteira seca, não seria a melhor medida fechá-la.”

Bolsonaro disse aos jornalistas que o Acordo de Paris pode ameaçar a soberania do Brasil sobre a Amazônia. “O triplo A está em jogo. É uma grande faixa que pega a Amazônia e vai até o Atlântico, que estaria não mais sob a nossa jurisdição, mas sob a jurisdição de outro país, como sendo ela essencial para a sobrevivência da humanidade. Nesse acordo de Paris, nós poderíamos correr o risco de abrir mão da nossa Amazônia?”, questionou. “Vamos botar no papel que não está em jogo o triplo A nem a independência de nenhuma terra indígena que eu mantenho o Acordo de Paris”, afirmou.

Depois, o candidato do PSL comentou sobre a situação da Venezuela e negou que pretenda tomar qualquer medida drástica: “Ninguém quer fazer guerra com ninguém. A Venezuela é uma coisa que não poderia deixar chegar onde chegou. É uma fronteira seca, não seria a melhor medida fechá-la. Temos que buscar maneiras, talvez junto à ONU, de fazer ali campos de refugiados, para buscar solução para o caso. Roraima não suporta a quantidade de venezuelanos que têm entrado lá, mas o governo não pode dar as costas para a Venezuela”, concluiu. 

Bolsonaro disse ainda ter conversado “outro dia” com Mauricio Macri, presidente da Argentina, e que “vamos ter um bom relacionamento”.O presidenciável também foi questionado sobre a relação com a imprensa europeia, que tem sido crítica a um eventual governo Bolsonaro, o candidato afirmou: “Não me conhecem e estão contaminados por alguns setores da mídia aqui do Brasil, que me tratam com muito preconceito”.

Outros temas

Bolsonaro ainda cobrou mais empenho dos parlamentares de seu grupo político – o PSL elegeu 52 deputados federais: “Do nosso pessoal eu quero mais empenho do que eles estão demonstrando agora. Em São Paulo, por exemplo, a preocupação número um não é eleger um ou outro candidato a governador, e sim somar votos para a nossa candidatura”.

Sobre não estar apoiando nenhum candidato a governador, em alguns Estados como São Paulo e Rio, Bolsonaro afirmou: “Eu quero neutralidade porque não está garantida minha eleição no próximo domingo, e a eleição mais importante para quem está do meu lado é a minha, nos Estados que cada eleitor decida o melhor”.

Caso seja eleito, Bolsonaro afirmou que seu primeiro será “a nomeação de um ministério técnico, que realmente possa corresponder aos anseios do povo brasileiro e não de agremiações político-partidárias”.

O candidato também disse que quer combater a ideologia nas escolas. “Qual é a máxima nas escolas públicas, não interessa o nível delas? É a formação de militantes. Nós queremos uma escola sem partido. Escola sem partido não é não discutir política. Pode discutir, mas não pode o aluno que tem uma posição diferente da do professor ter a nota rebaixada ou até ser reprovado. Essa ideologia tem que deixar de existir em nosso Brasil”, afirmou.

Questionado sobre como seu governo trataria os homossexuais, Bolsonaro negou que havertá perseguição. “O Estado não tem nada a ver com a opção sexual de quem quer que seja, ponto final. Aqui dentro deve ter algum homossexual, o que eu tenho contra? Nada. Minha luta é contra o material escolar, não interessa se é homo ou hetero, para criancinhas a partir de seis anos de idade. Quem trata de sexo é o papai e a mamãe. Quiserem implementar isso a partir de 2010. Tanto é verdade que houve o kit gay que em 2011 Dilma Rousseff mandou recolher”, afirmou.

Sobre a investigação da facada de que foi vítima em setembro, Bolsonaro afirmou que está aguardando as investigações: “Não vou ser leviano a ponto de apontar possíveis responsáveis por esse atentado, que não foi um ato isolado”.

O candidato do PSL voltou a criticar a Lei Rouanet: “O problema do Ministério da Cultura é a Lei Rouanet, que é muito mal aplicada. Tem que ter uma pessoa lá que trate com carinho a questão dos recursos para os artistas”, afirmou.

Ao final da coletiva, perguntado por um repórter se sabia que está programado para o próximo domingo um protesto gay na porta da sua casa, Bolsonaro respondeu “Você pode ir lá” e começou a rir.

 

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