Foto: Dida Sampaio/Estadão
Foto: Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro cogita Damares para Senado e diz que não vai ‘queimar largada’ com anúncio de vice

'O convite foi feito, o Tarcísio gostou dessa possibilidade, conversei com a Damares e ela ainda não se decidiu', afirmou o presidente

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2022 | 22h31

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira, 19, que não vai “queimar a largada” com o anúncio de quem será candidato a vice em sua chapa na eleição deste ano. Bolsonaro disse que divulgar o nome antes só dá "confusão". Na tentativa de desviar do assunto, o presidente contou que a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, pode ser candidata ao Senado por São Paulo.

“Logicamente, tenho um vice, que é do coração e da razão também, que a gente vai anunciar na hora certa. Anunciando agora é só complicação, confusão”, disse Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan. “E aqueles que porventura acham que podem ser eles, graças a Deus temos um leque bastante grande de pessoas interessadas nesse serviço, então nós não podemos queimar a largada", completou.. 

Foi neste momento que o chefe do Executivo se referiu a Damares. “Eu posso adiantar uma possível senadora para São Paulo”, afirmou o presidente ao mencionar Damares. “Não está batido o martelo, não. O convite foi feito, o Tarcísio gostou dessa possibilidade, conversei com a Damares e ela ainda não se decidiu.”

Na semana passada, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro lançou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, como candidato ao governo de São Paulo. Ao lado do auxiliar, Bolsonaro aproveitou para fazer campanha para Tarcísio, que tem convites tanto para se filiar ao PL — partido do presidente — como ao Progressistas. “No nosso governo, tem feito um trabalho que é reconhecido por todos. É um tocador de obras, é um empreendedor e sabe realmente dos problemas do Brasil todo”, definiu o presidente.

Ao dizer que foi pressionado no começo de seu governo para preencher a Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro sugeriu que Tarcísio seguisse seu exemplo. Segundo o presidente, o governo não cedeu às pressões políticas, embora ele tenha entregado a Casa Civil ao senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) e a Secretaria de Governo à deputada Flávia Arruda (PL-DF), ambos do Centrão. Quando confirmou a indicação de Nogueira ao cargo, no ano passado, o presidente chegou a dizer que a Casa Civil era a “alma do governo”. 

“Pode ter certeza, ele (Tarcísio) ganhando as eleições, porventura, vai fazer um trabalho semelhante ao meu, a começar pela escolha do seu secretariado, que tem que ser tecnicamente escolhido”, afirmou Bolsonaro.

Em 8 de janeiro, Bolsonaro admitiu que até 12 ministros devem deixar o governo nos próximos meses para concorrer a cargos públicos nas eleições deste ano. O prazo para a desincompatibilização dos ministros vai até abril.

“Gostaria que eles saíssem somente um dia antes do limite máximo, para não termos qualquer problema. Já começamos a pensar em nomes para substituí-los, e alguns já estão mais que certa. A maioria será por escolha interna, até mesmo porque seria um mandato tampão até o fim do ano”, disse o presidente, em entrevista após churrasco de aniversário do advogado-geral da União, Bruno Bianco, no Lago Sul, em Brasília.

Bolsonaro diz que Forças Armadas encontraram 'dezenas de vulnerabilidades' em urnas eletrônicas

Depois de ter interrompido por alguns dias o ataque às urnas eletrônicas, no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira, 19, que foram detectadas “vulnerabilidades” no sistema. Bolsonaro afirmou esperar uma resposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.

“Nós podemos estar errados também, nada garante que só nós estamos certos. O outro lado pode estar certo. Mas, até agora, das quase duas dezenas, ou aproximadamente duas dezenas, de vulnerabilidades, o TSE não respondeu ainda para as Forças Armadas”, disse Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan. 

Mesmo assim, o presidente afirmou que, com a participação das Forças Armadas no processo eleitoral, as dúvidas serão dissipadas. “Eu tenho certeza que todos querem no Brasil, a não ser que exista alguém muito mal intencionado por aí, eleições limpas e que vença realmente quem o povo queira que vença”, observou.

Em agosto do ano passado, Barroso procurou o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para pedir o envio de um representante militar à Comissão Externa de Transparência, a ser instituída no TSE.

“A participação das Forças Armadas na Comissão de Transparência reforçará o importante papel que a instituição desenvolve ao longo dos últimos 25 anos junto à Justiça Eleitoral na realização de eleições limpas, livres e seguras”, destacou o TSE, à época. "Ministério da Defesa é órgão incumbido de exercer a direção superior das Forças Armadas e por isso o convite foi feito ao ministro Braga Netto.”

Como revelou o Estadão em julho de 2021, o ministro da Defesa fez chegar ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que não haveria eleições neste ano se  não houvesse voto impresso e auditável. Naquele mesmo mês, Bolsonaro repetiu publicamente a ameaça feita por Braga Netto. “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, afirmou o presidente a apoiadores, na entrada do Palácio da Alvorada, no dia 8 de julho.

Pouco mais de um mês depois, em 10 de agosto, a Câmara rejeitou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso. Horas antes de os deputados derrubarem a PEC no plenário, Bolsonaro promoveu uma ação inédita em Brasília, com apoio da cúpula das Forças Armadas: um comboio de blindados desfilou pela Praça dos Três Poderes e percorreu a Esplanada dos Ministérios.

Sob pretexto de entregar um convite ao presidente para manobras militares que seriam realizadas posteriormente, em Formosa (GO), o desfile bélico que passou pelos arredores do Congresso foi visto como uma tentativa de Bolsonaro de demonstrar poder.

Depois, no Dia da Independência, 7 de setembro, o presidente participou de manifestações antidemocráticas em Brasília e em São Paulo, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “canalha” e ameaçou não cumprir decisões judiciais. Com a crise ampliada,  Bolsonaro recorreu ao ex-presidente Michel Temer e, dois dias depois, com a ajuda dele, divulgou uma carta na qual afirmava que suas palavras haviam sido ditas no “calor do momento”.

 

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