Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

‘Homens de preto’ assumem segurança de Bolsonaro e causam confusão em atividades

Visita do candidato ao PSL ao interior de Minas Gerais dificultou entrada de pacientes no hospital devido a cordão de isolamento feito por integrantes de movimento de direita da cidade

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 13h31

JUIZ DE FORA (MG) - Tumultos, tensão e bate-boca marcaram a visita do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) ao hospital filantrópico da Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer (ASCOMCER) e também um almoço com o candidato em um hotel em Juiz de Fora, Minas Gerais, nesta quinta-feira, 6. Pacientes idosos em tratamento contra a doença tiveram dificuldade para entrar na unidade, devido a um cordão de isolamento feito por integrantes de um movimento  conservador da cidade. Vestidos de preto, eles se diziam policiais e afirmavam fazer "segurança voluntária" do candidato.

“Campanha política não é para ser feita dentro de um hospital”, reclamou uma mulher que acompanhava o marido em uma sessão de quimioterapia e chorou. Sua filha discutiu com os seguranças, que impediam a circulação das pessoas. Os seguranças vestiam ternos e blusas pretas e usavam uma fita amarela no braço. Entre eles, algumas mulheres, também de negro, seguravam Bíblias.

Depois do hospital, o grupo seguiu com o candidato para o almoço, que reuniria empresários, em um hotel da cidade. Seus integrantes fizeram um cordão de isolamento e barraram a entrada de várias pessoas – entre eles, convidados e até o presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno. O dirigente do partido discutiu com alguns dos homens de preto.

TV ESTADÃO - Confusão entre grupos simpatizantes

“Tira a mão!”, disse a um dos "seguranças", que lhe apontava o dedo. Policiais que faziam a escolta oficial de Bolsonaro discutiram com os homens. Mandaram que todos os "voluntários" saíssem de perto do presidenciável. Um deles abordou a repórter do Estado e disse que a imprensa "não tinha autorização para filmar no local". Diferentemente de outras atividades de campanha de Bolsonaro, não há caravanas de eleitores no local seguindo o candidato.

A Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora informou que não autorizou a entrada do grupo no hotel. Afirmou também que uma das integrantes da equipe da entidade também foi empurrada pelos seguranças, ao tentar entrar no evento. Em discurso, Bolsonaro disse que o aparato de segurança é bancado por todos que estão com ele. “São da Polícia Federal e são voluntários, como vocês”, disse, entre aplausos.

TV ESTADÃO - Ida de Bolsonaro a hospital incomoda pacientes

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