Bolsonaro agora mira Dilma e se complica

Polêmico deputado faz insinuações sobre opção sexual da presidente e será acionado pelo PT

EDUARDO BRESCIANI , BRASÍLIA / ESTADAO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h09

Em discurso na tribuna da Câmara, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) questionou ontem a sexualidade da presidente Dilma Rousseff ao afirmar que o Ministério da Educação ainda planeja incluir o combate à homofobia nos currículos escolares. Ele será acionado pelo PT no Conselho de Ética da Casa.

"O kit gay não foi sepultado ainda. Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma. Mas não deixe que essa covardia entre nas escolas de 1º grau", disse o parlamentar, num pronunciamento gerou reações.

Domingos Dutra (PT-MA), que ocupava a presidência da sessão, determinou a retirada das declarações das notas taquigráficas atendendo a pedido do deputado Marcon (PT-RS). Caberá agora ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), decidir se o discurso ficará registrado nos documentos da Casa ou será retirado da história oficial da Câmara. Maia estava em viagem na tarde de ontem e não tinha analisado ainda o tema.

Em conversa com o Estado, Bolsonaro recuou e afirmou não ser sua intenção questionar a sexualidade da presidente. "Não me interessa a opção sexual dela". Disse estar falando sobre um suposto amor de Dilma à "causa homossexual". Mas comemorou o fato de mesmo "uma frase equivocada" estar "ajudando a levantar o mérito da discussão".

Por suas declarações, Bolsonaro já foi levado ao Conselho de Ética neste ano. Respondendo a uma pergunta de Preta Gil no programa CQC, da TV Bandeirantes, o deputado afirmou considerar "promiscuidade" a possibilidade de um filho ter relacionamento com uma mulher negra. Depois, também recuou do que disse. Na ocasião, afirmou ter entendido que a pergunta era sobre seu filho ter relacionamento homossexual. Acabou sendo absolvido pelos colegas sem enfrentar qualquer processo sob a justificativa da imunidade parlamentar para manifestar opiniões.

Para o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ, as declarações de Bolsonaro podem significar quebra de decoro parlamentar. A vice-presidente do Senado, Marta Suplicy (PT-SP), pediu que o presidente da Câmara tome "providências enérgicas" contra o deputado, que está "sem freio de arrumação".

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT)informou que estuda "tomar uma iniciativa" contra o deputado. "Ele (Bolsonaro) é uma vergonha nacional enquanto deputado", atacou o diretor da entidade, Beto de Jesus.

"Gostaria de saber quais foram os projetos apresentados por esse cara. É um vagabundo. É um cara que é pago com nosso dinheiro para atacar as outras pessoas de forma gratuita." / COLABORARAM ROSA COSTA, ANDREA JUBÉ VIANNA E LUCAS DE ABREU MAIA

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