Bolsa Família é, de novo, foco de embate entre Dilma e Aécio

Presidente volta a rebater tucano e diz que programa social não é fruto de 'canetada'; Aécio relembra programas sociais de FHC

TÂNIA MONTEIRO, DÉBORA BERGAMASCO, RAFAEL MORAES MOURA/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h08

Em uma segunda resposta ao pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), que acusou o governo federal de querer acabar com a pobreza extrema por "decreto", a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a sua administração não faz política social "na canetada".

"Todo mundo acha que o Bolsa Família a gente faz na canetada. O Bolsa Família precisou de arte e engenho. Precisou de vontade política", discursou Dilma, sendo interrompida por aplausos de prefeitos e governadores, entre eles o pernambucano Eduardo Campos (PSB), possível concorrente em 2014, que participaram ontem de cerimônia no Palácio do Planalto. No dia anterior, Dilma já havia dito que o combate à pobreza "não é milagre", mas fruto de "trabalho sistemático e vontade política".

Segundo a presidente, ao longo dos últimos dez anos, se não fossem as ações dela e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criou o Bolsa Família, 36 milhões de pessoas ainda estariam na extrema pobreza.

"Só uma experiência de dez anos permitiu que a gente olhasse e visse que dava para tirar (brasileiros da miséria), porque tínhamos um cadastro adequado, um cartão. Não é milagre, não é malabarismo, nem estatística. Nós colocamos hoje todos os 36 milhões de brasileiros do cadastro do Bolsa Família acima da linha da miséria", afirmou Dilma. Na semana passada, ela afirmou que foi o governo petista que criou o Cadastro Único.

O tema voltou a mobilizar o tucano. "Não foi uma canetada. Foi um decreto presidencial assinado pelo (então) presidente Lula que na verdade incorporava os programas Bolsa Alimentação, criado em 2001 pelo (então) presidente Fernando Henrique, o Bolsa Escola, criado em 2001, o Vale Gás, no início de 2002, e incluía inclusive o cadastro unificado, que havia sido criado também em 2001", retrucou.

Para se contrapor a Dilma, o PSDB usou a Lei de Acesso à Informação e pediu dados oficiais ao Ministério do Desenvolvimento Social que comprovem a origem e a estruturação dos programas sociais e também a existência do Cadastro Único ainda no governo tucano. Em momento nenhum nós tiramos o mérito do governo do PT em relação ao adensamento, à ampliação dos programas de transferência de renda, mas é preciso que se respeite o passado. Não entendo porque essa repulsa, essa dificuldade do governo e da presidente de reconhecer que o Brasil não foi descoberto em 2003", disse Aécio.

Saneamento. A presidente anunciou ontem investimentos de R$ 33 bilhões para saneamento básico, esgotamento sanitário e mobilidade urbana previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os recursos são parte do pacote de R$ 70 bilhões do PAC 2, já anunciados na marcha dos prefeitos em janeiro.

Em quase 40 minutos de discurso, Dilma afirmou que coube a Lula mudar o "paradigma da relação entre os diferentes entes federativos". Dando mais uma estocada no governo FHC, a presidente salientou que "foi uma grande, eu diria assim, foi uma grande diferença em relação ao que acontecia anteriormente". Aécio criticou ainda a cerimônia organizada ontem pelo governo. "Desta vez o Planalto se superou, porque nem no Cabo Canaveral (região usada para lançamento de foguetes nos EUA) se faz relançamentos. (O governo) lança hoje um conjunto de obras de saneamento que já havia lançado em janeiro." Aécio também rebateu a declaração da petista, na segunda-feira, de que durante a eleição se pode fazer "o diabo". "Assisti, confesso que perplexo, à declaração da 'candidata' (...) Espero, sinceramente, que tenha sido apenas mais um tropeço da presidente com as palavras e não uma senha para os aloprados do PT", disse o tucano, referiu-se ao episódio do 2º turno das eleições de 2006, quando petistas foram flagrados pela Polícia Federal tentando comprar um dossiê contra o adversário José Serra.

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