O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 16h03

O vencedor da eleição presidencial terá pela frente a tarefa de reconstruir pontes e reconquistar a confiança de agentes econômicos que, na prática, fazem o País crescer. São as grandes indústrias, os maiores bancos e as empreiteiras responsáveis por obras de infraestrutura, construção de escolas e hospitais e pelo programa Minha Casa Minha Vida. A tarefa será mais árdua para Dilma Rousseff, na avaliação de cientistas políticos ouvidos pelo Estado.

Segundo Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria, o diálogo entre grandes empresários e financistas com o governo federal e o Legislativo vai continuar, independentemente de quem for eleito. “Os grandes grupos têm interlocução e isso vai continuar existindo, o governo tem conselhos, uma parte do sistema de metas de inflação vem do diálogo, tem ‘ene’ formas que permitem esse contato”, explicou. “O que vai fazer diferença é o conteúdo e a qualidade.” 

Na reta final do 2.º turno, dois fatos foram citados por analistas para mostrar a necessidade de maior transparência: o adiamento da divulgação da arrecadação de impostos e da reunião do Conselho Monetário Nacional, que pode alterar a meta de inflação do País; e os depoimentos da Operação Lava Jato com denúncias de cobrança de propina em obras públicas.

“Com Aécio Neves teria outro jogo de critérios para essas coisas. O setor privado, em geral, considera que Dilma é contra eles”, avaliou David Fleischer, professor de Ciência Política da UnB.

Outro ponto vital a ser equacionado será a recomposição das tarifas definidas pelo governo, como energia e gasolina. No caso do setor elétrico, é cada vez maior a dependência de recursos do Tesouro pelas empresas. Já a gasolina depende de a Petrobrás ser autorizada a cobrar mais caro pelo produto.

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