Bispo tira padres da briga eleitoral

Ou política ou Igreja, avisa dom Jaime, em Natal

ANNA RUTH DANTAS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2012 | 03h03

Batinas vão ficar de fora da campanha eleitoral na diocese de Natal. A decisão é do arcebispo da cidade, dom Jaime Vieira Rocha, que acaba de proibir, em sua área, que padres sejam candidatos nas eleições de outubro. Em comunicado da diocese, ele determinou que sacerdotes filiados a partidos políticos devem abandoná-los. O documento ratifica sua posição anterior - ele já havia avisado que os padres interessados em disputar o pleito de 2012 teriam de pedir licença da Igreja.

"Em nome da solicitude e do caridade pastoral que devotamos ao Povo de Deus, realizem a desfiliação, como sinal e testemunho pessoal de fé e de caridade, de profunda adesão ao dever que temos de promover a unidade (...)", pede ele.

Dom Jaime lembra que os padres já conheciam as regras quando se ordenaram: a aplicação das normas da Igreja, escreveu, "funda-se nos preceitos canônicos a que todos já conheceram, antes da ordenação", aos quais "de espontânea vontade aderiram".

O bispo de Caicó, dom Delson Pedreira, apoia dom Jaime. Sacerdote, diz ele, não pode acumular as funções de padre e político. Mas houve gente que não se intimidou. Padre Edilson Nascimento, que atua em Parnamirim, já anunciou que será candidato a vice-prefeito de Extremoz (região da Grande Natal). "Vou pedir afastamento da Igreja, quero viver essa experiência na política", avisou. "A Igreja é severa", ponderou, mas observa que pretende voltar a exercer o ministério.

Posição diferente teve o padre Antonio Nunes, filiado ao PR. Convidado para ser vice de Hermano Morais (PMDB), em Natal, ele preferiu continuar como padre. Em Jardim do Seridó (a 220 quilômetros de Natal), o padre Jocimar Dantas é prefeito, pelo PMDB, e será candidato à reeleição. Mas o assunto está longe de se resolver. Só em Minas Gerais há cerca de cem padres em cargos políticos.

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