Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Benko nega uso eleitoral da CPI da Sabesp na Câmara

Vereador, presidente da comissão que investigará a companhia e candidato do PHS ao governo, acusa o governo de esconder o racionamento na capital

CARLA ARAÚJO, Agência Estado

12 de agosto de 2014 | 17h49

O candidato do PHS ao governo de São Paulo, Laércio Benko, rechaçou nesta terça-feira, 12, que a instalação da CPI da Sabesp na Câmara dos Vereadores tenha caráter eleitoral. "Sob hipótese nenhuma (tem cunho eleitoral). Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não será uma CPI de caça às bruxas", afirmou, ao participar da série ''Entrevistas Estadão''. O parlamentar foi o autor do protocolo que pediu a instalação da CPI da Sabesp e presidirá a comissão que investigará se a companhia cumpre o contrato de abastecimento de água firmado com a Prefeitura de São Paulo.

Segundo o candidato, não há um viés eleitoral porque o objetivo é investigar o contrato da Sabesp com a Prefeitura. "Vamos investigar porque o problema (de falta d''água) existe", afirmou. "Não é uma CPI do partido A, contra A, B ou C. É um problema que nós vereadores temos que avaliar", afirmou. Benko disse que, se eleito, não terá problemas em manter as investigações em relação à Sabesp. "O alvo não é o governo do Estado de São Paulo, é o contrato da Sabesp com o Estado. Temos que prezar pela independência entre o Legislativo e o Executivo. A alvo é entender o problema. Essa CPI vai trazer subsídios importantes para quem for eleito para os próximos quatro anos", afirma Benko.

Apesar de reconhecer a limitação dos poderes dos vereadores na atuação da empresa - que tem capital aberto e tem o governo do Estado como sócio majoritário - o candidato criticou o modelo atual de gestão e afirmou que o problema da empresa foi pensar "nos dividendos aos acionistas". "Ela (Sabesp) distribui dividendos ao invés de distribuir água", afirmou.

"Se eu for eleito, não vai mais ter distribuição de lucros se não estiver tudo certinho", reforçou, destacando que não é contra o mercado financeiro, mas não concorda que a empresa tenha ações na Bolsa. "Água é vida, não posso tratar da água com interesse mercadológico", disse. O candidato disse ainda discordar que a questão de dividendos fuja do poder político. "Não concordo. Os acionistas terão que entender que em primeiro lugar é (preciso atender) a população".

Questionado se implementaria um rodízio de água no Estado, Benko afirmou que o rodízio "já existe" e que "sem dúvida" o atual governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB) está escondendo o fato da população. "Eu não disfarçaria, mesmo porque o rodízio hoje já existe, não há outra opção", afirmou. "Não importa que queiram chamar de redução de pressão, o fato é que as torneiras já estão sem água".

Benko disse ainda que o trabalho da CPI vai questionar o alto desperdício de água e a falta de investimento em mão de obra. "Queremos entender por que não existe investimento em mão de obra, por que não existe investimento em infraestrutura, por que não existe comunicação entre sistemas", afirmou. O candidato afirmou também não ver nenhum conflito de interesse entre propor e presidir a CPI e concorrer ao cargo de governador. "Não vejo conflitos de interesse. Não tenho nada contra nem mesmo o governador Geraldo Alckmin. Estou ligado à Marina Silva e ao Eduardo Campos, que prega uma nova política, sem ranço", afirma. Benko disse ainda que, se eleito, vai querer governar "com o que há de melhor no PSDB, no PT e em todos os partidos".

Benko encerrou a participação dos principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes na série ''Entrevistas Estadão''. Participaram o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e os candidatos Gilberto Natalini (PV), Gilberto Maringoni (PSOL), Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB). A série também vai receber no decorrer da campanha eleitoral os principais candidatos a presidente, a vice, além dos postulantes a uma vaga no Senado por São Paulo. Na segunda, foi entrevistado o senador Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição. Nesta-quarta, 13, será a vez do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).

 

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