Beltrame estreia na propaganda de Pezão

Futuro de secretário, que está há quase oito anos à frente da pasta de Segurança no Rio, é indefinido, mesmo se governador for reeleito

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 14h45

Rio - Pela primeira vez no segundo turno, o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, participou de um programa eleitoral do governador e candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Após quase oito anos do gaúcho à frente da secretaria, o futuro da pasta está indefinido. Nem mesmo se Pezão ganhar está garantida a permanência do delegado da Polícia Federal. Em caso de vitória de Marcelo Crivella (PRB), os rumos da segurança ficarão nas mãos de um general da reserva do Exército, José Alberto de Costa Abreu, candidato a vice na chapa do senador. O militar disse que não pretende assumir a pasta, mas escolherá a dedo o nome.

Qualquer que seja o vencedor, o principal projeto de segurança da gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), continuada por Pezão, deve permanecer. Mesmo com críticas às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Crivella faz elogios ao projeto e promete ampliá-lo. Foram as UPPs que deram notoriedade nacional a Beltrame. No programa eleitoral de Pezão, nesta segunda e terça-feira, o secretário usou tom alarmista: "Não podemos desistir, não podemos voltar atrás. Ter retrocesso nessa caminhada é uma derrota muito grande", disse num depoimento de cerca de um minuto em programa dedicado exclusivamente à segurança.

Perguntado se gostaria de manter o secretário, Pezão falou em tom de despedida na semana passada: afirmou que sim, mas reconheceu que Beltrame "está cansado". Em sua biografia, lançada este ano, o gaúcho transpareceu o desgaste: "Não é fácil cumprir uma rotina de restrições. É desconfortável estar impedido de caminhar como um cidadão comum pela rua. Sempre me pergunto se poderei fazer isso novamente". Em entrevistas, o secretário tem dito que, em caso de vitória de Pezão, permanecerá por pelo menos mais um ano.

"Beltrame fez um trabalho extraordinário. Mas sete anos e meio aqui, cuidando de segurança pública como ele se dedicou, não é fácil", disse na última quinta-feira o governador, que pode perder o secretário até para o governo federal: o candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), afirmou que, se eleito, pretende contar com Beltrame em seu governo. "Eu torço para que ele se revigore, que tenha energia e possa continuar, aqui ou em Brasília", disse Pezão. Por meio de sua assessoria de imprensa, Beltrame informou que não se pronunciaria.

No ano passado, com as UPPs ainda em alta, o PMDB queria o gaúcho como candidato a vice na chapa de Pezão. Mas o secretário não quis e, na última hora, o senador Francisco Dornelles (PP) foi anunciado. Para uma eventual substituição de Beltrame à frente da secretaria, os mais cotados seriam dois (como ele) delegados da Polícia Federal que o acompanham desde que assumiu a pasta em 2007, a convite do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB): Roberto Sá, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, e Edval Novaes, subsecretário de Comando e Controle. 

Manifestações. General da reserva desde 1º de maio deste ano, quando deixou a ativa para concorrer como vice na chapa de Marcelo Crivella, o general José Alberto de Costa Abreu, de 61 anos, disse que, se eleito, "provavelmente" não acumulará o cargo de secretário de Segurança. O nome ainda não foi escolhido, segundo o militar, mas será uma "pessoa de confiança" tanto dele quanto de Crivella, e "dificilmente será político". O general não antecipou, entretanto, de que quadro viria o novo secretário: se das Forças Armadas, da Polícia Federal ou das polícias civil ou militar. Certo é que não tentarão convidar Beltrame a continuar: "Fez um trabalho excelente, mas um novo governo pede um novo secretariado".

Tanto o general quanto Crivella mais elogiam que criticam a política de segurança do governo Cabral/Prezão. Até um dos pontos mais sensíveis da gestão de Beltrame, a truculência da PM em manifestações, foi justificada pelo general: "Pode ter havido algum excesso, mas se houve foi de ambos os lados". Enquanto comandante da 1ª Divisão de Exército e Guarnição da Vila Militar, Abreu chefiou segurança e defesa da Jornada Mundial da Juventude, em 2013, durante a visita do papa Francisco ao Rio. Na época de maior efervescência dos protestos, ele causou polêmica ao afirmar que pessoas com máscaras seriam impedidas de entrar no Campo da Fé, em Guaratiba, na zona oeste do Rio, onde seria realizada uma missa.

O general tem outras ideias em comum com Pezão: tal como o candidato à reeleição, é contra a desmilitarização da polícia e a legalização da maconha. Quanto à redução da maioridade penal (defendida por Pezão em casos de crimes hediondos), preferiu não opinar. Crivella diz ser contra. Abreu se esquivou de responder se era favorável ou contrário a um pedido de desculpas das Forças Armadas por conta da ditadura: "Não acho um tema relevante para uma eleição majoritária no Rio de Janeiro". Contou ser evangélico, mas da Igreja Batista, não da Universal do Reino de Deus, da qual Crivella afirma ser bispo licenciado. "Quando me convidou para compor a chapa, em nenhum momento Crivella perguntou qual era minha religião", disse.

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