PAULO ARAUJO / ESTADAO
PAULO ARAUJO / ESTADAO

Pré-candidato no Rio, Bebianno diz que Bolsonaro 'ignora o Rio de Janeiro'

Anúncio da candidatura do ex-ministro foi feito nesta quinta-feira pelo governador João Doria no diretório paulista do PSDB

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 10h45
Atualizado 05 de março de 2020 | 16h18

Escolhido pelo PSDB como pré-candidato do partido à prefeitura do Rio do Janeiro, o ex-secretário geral da Presidência Gustavo Bebianno adotou um discurso duro contra o presidente Jair Bolsonaro e esse deve ser o tom de sua pré-campanha. "Bolsonaro ignora o Rio de Janeiro, tanto o Estado quanto a cidade. Ele enxerga no Rio uma fonte de problemas e prefere se manter à distância", disse o advogado ao Estado nessa quinta-feira, 5, em entrevista concedida na sede estadual do PSDB paulista, na capital. 

A escolha de Bebianno foi uma indicação do empresário Paulo Marinho que, assim como ele, foi aliado de Bolsonaro, mas rompeu com o presidente. O PSDB havia anunciado que a ex-secretária de Cultura da capital fluminense, Mariana Ribas, seria candidata na cidade, mas recuou por pressão de Marinho. "Houve uma mudança de posições no gramado", disse Bebianno. Mariana deve assumir um cargo no Sebrae.

Marinho afirmou que serão 75 candidatos a vereador no Rio pelo PSDB. O empresário prometeu o anúncio oficial das candidaturas à Câmara e à Prefeitura no dia 4 de abril.

Segundo aliados, o governador João Doria decidiu fazer o anúncio da candidatura de Bebianno em São Paulo para dar uma sinalização pública de seu poder sobre a legenda. O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, veio a São Paulo para o evento.  

Ao falar sobre o cenário das eleições municipais, Bebianno, que foi presidente nacional do PSL, disse que Bolsonaro "destruiu" o partido. "Como disse o Major Olímpio, ele morava sozinho e fugiu de casa. Destruiu o PSL e ficou sem partido. Está na calçada. Acho muito difícil a Aliança sair do papel até a eleição", afirmou. 

Ainda segundo o pré-candidato, o presidente adota atitudes inexplicáveis. "Ele ouve pessoas beligerantes que acirram a beligerância dele. Bolsonaro arruinou sua base na Câmara."

Bebianno contou que em 2017 trabalhou "intensamente" para filiar Hamilton Mourão ao partido, para que o general disputasse o governo do Rio de Janeiro em 2018, mas Bolsonaro vetou o movimento. 

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) também foi alvo do advogado. "A cidade do Rio está abandonada. Temos um prefeito que parece não gostar da cidade. Não é um carioca legítimo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.