'BATIAM EM LINCOLN COMO BATEM EM MIM'

Lula lê biografia e se compara a ex-presidente

O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h10

Abraham Lincoln foi presidente dos Estados Unidos entre 1861 e 1865. Luiz Inácio Lula da Silva ocupou a Presidência da República entre 2003 e 2010. Apesar dos mais de 140 anos que separam um do outro, Lula disse ontem ver uma semelhança entre eles: os dois foram duramente criticados pela imprensa enquanto estavam no poder.

"Esses dias eu estava lendo o livro do Lincoln. E eu fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860, igualzinho bate em mim. E o coitado não tinha computador, ele ia para o telégrafo e ficava numa sala (esperando para responder). Nós aqui podemos xingar o outro em tempo real", afirmou Lula ao participar da comemoração dos 30 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo.

A história do ex-presidente americano tem tido destaque na mídia desde a estreia do filme Lincoln, do diretor Steven Spielberg. E, ao que parece, a biografia do republicano não tem inspirado apenas Lula. Na festa dos dez anos do PT na semana passada, foi usado o slogan "do povo, para o povo e pelo povo", retirado de um discurso do presidente americano. A expressão é considerada, até hoje, como uma das que melhor definem o conceito da palavra democracia.

Além de se comparar a Lincoln, o ex-presidente desfiou uma série de críticas à imprensa e convocou os movimentos sindicais a organizarem a sua própria mídia e não reclamarem por terem pouco espaço nos grandes veículos de comunicação.

"Eu estou naquela fase que eu quero parar de reclamar dos que não gostam de mim e não me dão espaço. Aliás, eles não têm que dar espaço. Eu não convido eles para a minha festa, eles também não me convidam para a deles", afirmou Lula.

Em seguida, sugeriu: "Por que então a gente não organiza a nossa mídia? Por que a gente não começa a dar um pouco de formatação naquilo que temos em potencial? Nós temos condições de fazer isso". Hoje, a CUT já tem uma rede própria de comunicação, que conta com uma emissora de televisão, três de rádio, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal.

Bronca. Lula afirmou também que os seus adversários tinham "bronca" do sucesso dele e da presidente Dilma Rousseff. O ex-presidente disse ainda que os "formadores de opinião" foram os últimos a aderir ao movimento pelas eleições diretas para presidente nos anos 1980. "Neste País, os formadores de opinião pública eram contra a campanha das Diretas Já. Só foram pra rua quando tinha 300 mil pessoas na Praça da Sé." / F.G. e I.P.

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