BASTIDORES: presidente liga para Temer, que relata os nós da proposta

A presidente Dilma Rousseff telefonou ontem à tarde para o vice-presidente, Michel Temer, após tomar conhecimento das declarações do peemedebista sobre a impossibilidade de se realizar o plebiscito prevendo uma reforma política que tenha validade para eleição de 2014.

Débora Bergamasco, Tania Monteiro, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2013 | 02h06

Temer fez a Dilma um relato de todos os questionamentos dos parlamentares. Explicou os nós que o tema provocou na base aliada. De acordo com assessores da presidente, as dúvidas foram esclarecidas e a conversa ocorreu de forma civilizada. A presidente costuma tratar seu vice de forma respeitosa, e teria repetido o procedimento.

Pela manhã, Dilma estava tão ensandecida com a postura da sua base aliada no Congresso que vociferava pelos corredores do Palácio do Planalto, deixando a sensação de que, caso não fosse atendida, poderia começar retaliações aos partidos insurgentes.

Parlamentares do PMDB, parceiro mais robusto do governo federal, disseram entender que se tratava apenas de um acesso de fúria. Afirmaram crer que Dilma não esteja em condições, neste momento, com a popularidade em queda, de exigir muito.

"Antes ela tinha a popularidade alta a seu favor e já perdeu. Vai esgarçar ainda mais a relação conosco? Duvido", disse um membro do Congresso que pediu para não ser identificado.

Outro parlamentar apostou na harmonia entre Executivo e Legislativo, já que "faltam duas assinaturas para ser instalada a CPI da Petrobrás". "E das cinco medidas provisórias, a bancada derrubaria todas, só passaria a 610 (que prevê socorro para cidades atingidas pela seca no Nordeste). Há um consenso interno dentro do PMDB de que os ministérios comandados pela legenda "não servem para nada (em termos de influência). Se hoje fosse feita uma reunião da executiva, a base votaria para abrir mão dessas pastas", disse um membro da alta cúpula do partido governista.

"Um parlamentar precisava de R$ 40 mil do Turismo (comandada pelo peemedebista Gastão Viera) para fazer uma festa de São João em seu município e não conseguiu. O outro sujeito precisava de vinte e poucos mil para perfurar um poço em uma área rural para beneficiar dezenas de famílias, mas o Ministério da Agricultura (chefiada por Antônio Andrade, do PMDB) também não liberou. Ela quer retaliar o quê? Que retalie, então", enfrentou um peemedebista, também sob a condição de anonimato.

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