Bastidores: Ponte entre Serra e Aécio foi feita por FHC e Alckmin

Ex-governador anunciou permanência no PSDB depois de tentar viabilizar candidatura à Presidência no PPS

Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2013 | 02h17

Fiel ao seu estilo, José Serra seguiu o ritual das últimas eleições e decidiu seu futuro no limite do prazo do Tribunal Superior Eleitoral para que os políticos mudem de partido para disputar em 2014. Aos amigos mais próximos, o ex-governador já havia sinalizado que seguiria esse caminho. A opção de migrar para o PPS traria muitas incertezas. A predileção, porém, não era revelada ao partido, que ficou o tempo todo no escuro.

Depois de um período de reclusão total, Serra voltou a conversar com o PSDB na semana passada. Graças aos apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Geraldo Alckmin, ele abriu um canal direto de diálogo com o senador Aécio Neves. O ex-governador e o senador se encontraram em São Paulo pelo menos duas vezes na capital paulista. Nas conversas, Aécio apelou para que Serra permanecesse no PSDB e chegou a convidá-lo para viajar pelo País. O senador não ouviu em nenhuma das ocasiões pedidos específicos de cargos, mas deixou claro que atuaria para garantir que o PSDB ficasse totalmente aberto. Ou seja: o posto de candidato ao Senado no ano que vem estaria garantido. Amigos de Serra, como o senador Aloysio Nunes Ferreira e o deputado Jutahy Magalhães, se somaram aos esforços dos tucanos para convencer o ex-governador a permanecer no partido. Em duas visitas ao Palácio dos Bandeirantes, na semana passada, Serra deixou o governador Geraldo Alckmin aliviado ao garantir que faria campanha para ele no ano que vem (e não para o ex-prefeito Gilberto Kassab, do PSD, que também estará na disputa). Mas não foi contundente sobre sua decisão final.

O primeiro a ser comunicado oficialmente da decisão foi o deputado federal Roberto Freire, presidente nacional do PPS. Isso ocorreu na última segunda-feira. Só depois disso Serra conversou com Aécio Neves em São Paulo em reunião que contou com a presença de outros tucanos. Só então o martelo foi batido. Antes de voltar para Brasília, Aécio foi ao Palácio dos Bandeirantes para uma última conversa com o governador. Ontem, o mineiro fez questão de ser o porta-voz oficial da notícia, apesar de o anúncio já ter sido feito nas redes sociais. Em entrevista coletiva, fez afagos ao ex-rival, que não se manifestou.

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