Bastidores: Plano do PSB é evitar a associação do caso a Marina

O comitê da campanha de Marina Silva avaliou que a denúncia envolvendo Eduardo Campos em supostos desvios na Petrobrás tem potencial para abalar a candidatura da ex-ministra. Além de vincular Marina a um escândalo de grandes proporções, o depoimento do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa inviabiliza o discurso de Marina Silva em relação ao pré-sal.

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2014 | 02h01

Diante de acusações do PT de que ela vai negligenciar a produção de petróleo, Marina tem dito que pretende usar o dinheiro do pré-sal "em saúde e educação", e não em "corrupção".

A estratégia da campanha de Marina é destacar o PSB para responder às acusações contra Campos e tentar evitar a associação do caso à candidata.

Segundo um integrante da cúpula da campanha, desde a morte de Campos num desastre aéreo no dia 13 de agosto, os integrantes da rede "têm noção dos problemas do PSB" e tentam manter Marina "à parte" das irregularidades.

Ontem, em entrevista coletiva, Marina só opinou sobre a Petrobrás depois de ser questionada pessoalmente pela reportagem do Estado. Na primeira vez que o caso veio à tona durante a entrevista, ela passou o microfone para o vice, Beto Albuquerque.

Estratégia idêntica foi usada no caso da compra suspeita do avião que matou Campos. Sempre que confrontada com o assunto, Marina passava a palavra para o vice.

"Sou dirigente do PSB e temos atos, decisões, que foram tomadas partidariamente antes da morte do Eduardo. Não quero impedir que Marina fale", disse o vice.

A tática de proteger o candidato não é privilégio do PSB. O PT tem usado o mesmo artifício. No sábado, a presidente Dilma Rousseff falou superficialmente sobre o assunto Paulo Roberto Costa, enquanto o presidente nacional do PT, Rui Falcão, soltou uma nota com duros ataques ao tucano Aécio Neves. Ontem, Dilma tentou se esquivar do caso dizendo que nenhum integrante do governo foi formalmente acusado.

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