BASTIDORES: Inteligência falha, e ministro fica fora de reuniões sobre crise

Protegida por um escudo humano de soldados do Batalhão da Guarda Presidencial, enquanto 60 mil manifestantes ocupavam a Esplanada dos Ministérios e avançavam contra prédios públicos, como o Itamaraty, a presidente Dilma Rousseff fez seu primeiro diagnóstico ao se ver surpreendida pelas dimensões dos protestos na capital federal e pelo País: a inteligência do governo não funcionou.

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2013 | 02h17

Incapaz de fornecer à presidente informações antecipadas sobre os rumos e extensão da mobilização, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito Siqueira, tornou-se uma peça obsoleta na estrutura palaciana. Já na sexta-feira, assessores de Dilma manifestavam irritação com o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O prestígio do general incinerou-se com rapidez. Elito ficou de fora das reuniões, nas quais Dilma aguardava reações das ruas para decidir se faria um pronunciamento à Nação e qual o melhor tom a ser adotado. A presidente considerou inaceitável que nem mesmo uma mobilização feita pelas redes sociais, de forma transparente, às quais qualquer um poderia ter acesso, foi objeto de atenção da "tropa de Elito".

Na sexta-feira, Dilma preferiu telefonar para governadores e se reunir com outros dez ministros e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, levado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para receber as informações que precisava para tomar decisões. O Planalto precisou recorrer até ao Centro de Defesa Cibernética, que é do Exército, para buscar mais dados.

Assessores do governo afirmam que, apesar de ser um general "quatro estrelas", o mais alto na hierarquia militar, e ter o cargo de ministro, Elito é "ignorado" pela presidente e o seu isolamento é "visível". Com isso, o chefe do GSI volta seu foco para a coordenação da segurança dos palácios institucionais, embora até nesta missão tenha falhado quando, há um mês e meio, foi surpreendido por centenas de índios na entrada do Planalto. Os índios só não invadiram porque não quiseram. Outro foco de desgaste foi a operação de monitoramento no Porto de Suape (PE), área sob comando do governador Eduardo Campos (PSB), potencial adversário de Dilma em 2014, revelada pelo Estado.

A incapacidade de previsão dos protestos, da extensão e da violência dos que ocorreram nos últimos dias, de acordo com interlocutores da presidente, levaram o que deveria ser o principal consultor de segurança de Dilma, o general Elito, aumentar mais uns graus na assadeira do Planalto.

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