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Base quer cargos do PSB

A candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), começa a produzir uma pressão da base aliada sobre o governo para que lhe seja dado logo o tratamento de adversário. Um movimento que une o PR e parte de PMDB e PTB, principalmente, em busca do espaço ocupado pelo PSB - a saber os ministérios de Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2013 | 02h12

A pressão incomoda não só a Campos e a oposição, que se alimentam da dissidência do governador, mas também ao governo, que não pretende fazer do aliado uma vítima, expulsando-o da aliança. Prefere levá-lo a abdicar do projeto de 2014 ou, pelo menos, impor-lhe o ônus da ruptura.

A desenvoltura com que Campos exerce suas articulações porém, reduz a possibilidade de um recuo sem o risco de grave dano político à sua imagem. A pressão pela sua saída, por outro lado, limita a perspectiva da vida dupla de aliado e opositor por todo o resto do ano de 2013.  

Cientes disso, partidos da base dobram o preço do apoio ao governo, para atender as bancadas da Câmara e Senado. Há o PTB da Câmara, liderado pelo deputado Jovair Arantes (GO), regionalmente aliado do PSDB; e o do Senado, do vice-líder do governo, Gim Argello (PTB-DF), que formou um bloco parlamentar com o PR, reunindo 12 senadores fiéis ao Planalto para reivindicar um ministério.  

O PMDB do Senado reclama não ter representante. Alega que o Ministério de Minas e Energia é de José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). E que Sarney tem dois ministérios porque o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), ministro do Turismo, é de sua cota pessoal.

O limite do "diabo"

A dificuldade do governo com o PTB é que um acordo para dar um ministério ao partido passa por Roberto Jefferson (RJ), denunciante do mensalão, licenciado da presidência da legenda em favor do ex-deputado Benito Gama (BA), que tenta sem êxito representá-lo em audiência com a presidente Dilma Rousseff. Seria mesmo fazer "o diabo" pela reeleição. No vácuo, o PSB foi a Jefferson, que se reuniu, há dias, com o presidente da secção paulista, deputado Márcio França, representando Eduardo Campos. O PSB sonha em trazer o PTB para a aliança formal, garantindo o tempo de TV do partido.

Sem reserva

Sexta-feira, Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) dividem palanque em seara tucana, em evento com prefeitos de São Paulo promovido pela Associação Paulista de Municípios (APM). Nem com um tucano no comando da entidade - o ex-prefeito de Osasco Celso Giglio - e o governador Geraldo Alckmin à frente, houve reserva de mercado para Aécio, registrou uma raposa mineira.Baixa

Com a eleição de Ciro Nogueira (PI) para a presidência nacional, o PP também troca de lugar no debate sobre os royalties e o Rio fica mais fragilizado na disputa. Advogado dos estados produtores, o senador Francisco Dornelles (RJ), cede a vaga a um ardoroso defensor dos não produtores. Na véspera da votação do veto presidencial que obstruía a redistribuição dos royalties, Ciro afirmou: "Farei o que estiver ao meu alcance para que esse veto seja derrubado aqui no Congresso".

Sem discussão

O vice-presidente do PSB de Goiás, José Batista Júnior, "dono do Friboi", o maior frigorífico do mundo, deve ir para o PMDB, por pressão do Planalto. Candidato ao governo, foi aconselhado a trocar de partido após a candidatura presidencial de Eduardo Campos. A participação de mais de 30% do BNDES na empresa de Junior, é fator que liquida a fatura.

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