Base de Lula reforçou pedido para nomear investigado

PF interceptou e-mails em que Vieira mostra a Rose ofícios em que recebe apoio de Renan, Argello e Mabel

BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h04

Líderes de três partidos da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva enviaram ofícios à então ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em 2009, para apoiar a nomeação de Paulo Vieira para a Agência Nacional de Águas (ANA). Os documentos foram assinados pelo deputado Sandro Mabel (ex-PR, hoje PMDB), pelo senador Gim Argello (PTB) e pelo senador Renan Calheiros (PMDB) - este último candidato à presidência do Senado no ano que vem, em um acordo do PMDB com o PT, costurado com o apoio do Palácio do Planalto.

Os ofícios são considerados formalidades para a indicação de dirigentes de agências reguladoras, mas revelam o aval das bancadas das siglas ao nome de Paulo.

O material integra o relatório da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Os documentos estavam em um e-mail que Paulo Vieira enviou a Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, que articulou a nomeação do diretor da ANA.

Documentos datados de 28 e 29 de abril citam a qualificação de Paulo para o cargo, elencando diplomas de graduação e pós-graduação, e a posição de servidor da CGU. "Tomamos a liberdade de encaminhar a Vossa Excelência a indicação do sr. Paulo Rodrigues Vieira para o cargo de diretor da Agência Nacional de Águas", dizia o texto do ofício.

A nomeação de Paulo saiu um ano depois. O Senado aprovou a indicação em abril de 2010, depois de uma manobra do presidente da Casa, José Sarney (PMDB), e do então líder do governo, Romero Jucá (PMDB), para reverter um empate e uma derrota em plenário. No relatório da PF, também constam ofícios enviados por Mabel e Calheiros para o então ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Múcio, que hoje é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), foi citado em telefonemas e e-mails trocados entre Paulo Vieira e seus irmãos.

Impedido. Em uma mensagem, eles previam que o ministro se declararia impedido de julgar um processo de interesse da Tecondi, empresa de aliados dos irmãos Vieira que disputava uma área no porto de Santos. Múcio, de fato, se declarou impedido por estar sendo pressionado.

A equipe do deputado Sandro Mabel afirmou que seu partido à época, o PR, apoiava a indicação de Paulo para a diretoria da ANA e que Mabel cumpriu sua atribuição de líder ao assinar o ofício.

"A partir da nomeação do senhor Paulo Vieira, o deputado não manteve nenhum tipo de relacionamento com o referido ex-diretor, não participando da sua posse, não fazendo visitas ao gabinete da referida agência em questão, muito menos pedidos de favores ou participação de qualquer reunião com o mesmo", declarou o gabinete, em nota.

Segundo a equipe de Mabel, o deputado "tem total tranquilidade de dizer que entre ele e o senhor Paulo Vieira não há nenhum tipo de relacionamento, e também, nenhum conhecimento a respeito das supostas fraudes praticadas pelo ex-diretor da ANA".

O gabinete do senador Gim Argello afirmou que a assinatura do ofício com a indicação do diretor é um procedimento "padrão", em que a indicação do Poder Executivo é ratificada pelos parlamentares da base aliada.

A equipe do parlamentar do PTB afirmou que ele não foi encontrado para identificar quem foi o responsável pela indicação política do diretor. Sua assessoria também afirmou que não há relação entre Gim Argello e Paulo.

O senador Renan Calheiros não foi localizado para comentar a assinatura dos ofícios. / COLABOROU LUIZA ALVES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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