Base de Dilma tenta enfraquecer Aécio em Minas

Após fracassos em 2010 e 2012, quando formaram chapa única, PT e PMDB apostam em candidatos próprios para tentar forçar 2º turno no Estado

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h33

Depois das derrotas para o governo de Minas, em 2010, e para a prefeitura de Belo Horizonte, dois anos depois, os dois maiores partidos da base da presidente Dilma Rousseff, PT e PMDB, começam a traçar estratégias para tentar evitar novo revés na disputa estadual de 2014. As legendas já articulam as possíveis candidaturas do ministro petista Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e do senador peemedebista Clésio Andrade.

O que a princípio poderia parecer uma divisão da base do governo federal no Estado é, na verdade, uma tática dos dirigentes dos dois partidos para fazer frente a um adversário apoiado pelo governo do tucano Antonio Anastasia, que deve dividir palanque em Minas com a provável candidatura presidencial do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Nas eleições de 2010 e 2012, PT e PMDB caminharam juntos. Na disputa estadual, o então senador e ex-ministro peemedebista Hélio Costa encabeçou a chapa, com o também ex-ministro Patrus Ananias como vice. Na eleição da capital mineira neste ano, foi a vez de o petista encabeçar a chapa com o ex-deputado Aloísio Vasconcellos (PMDB) como vice. Em ambos os casos, foram derrotados em primeiro turno, sempre por candidatos apoiados por Aécio.

"Temos conversado", afirmou o presidente do PMDB mineiro, deputado federal Antônio Andrade, referindo-se à direção do PT no Estado. "Podemos até compor em um segundo momento. Mas achamos que nosso candidato é melhor e manteremos (a candidatura). O PT pode achar que o candidato dele é melhor e manter também."

Para o peemedebista, "a história tem mostrado" que o melhor caminho é a divisão da base, ao menos no 1.º turno, justamente para tentar forçar uma disputa em duas votações. Tanto na eleição para o governo estadual em 2010 quanto na municipal deste ano, a união das candidaturas gerou descontentamento em militantes de ambas as legendas. "Partidos do tamanho do PMDB e do PT têm que ter candidaturas. As últimas eleições provaram que o melhor é deixar o eleitor decidir", disse o deputado.

Já o PT, que trabalhou com o peso do governo federal para unificar as candidaturas nas duas últimas eleições, começa a ver com bons olhos o lançamento de mais nomes da base para a disputa contra um candidato aliado dos tucanos - um nome cotado é o do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), reeleito com o apoio de Aécio após racha com os petistas na capital. O presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes, afirmou que o partido não vai mais ceder a cabeça de chapa para aliados, como fez em 2010, e que, se o PMDB não quiser compor a candidatura com a indicação do vice ou de um nome ao Senado, o melhor mesmo é "levar a eleição para o segundo turno".

Palanque. Lopes também afirmou ser a favor da recomposição da aliança com PSB em Minas. Porém, sem um nome forte para a próxima disputa estadual, os tucanos trabalham para manter a proximidade com Lacerda.

Na seara tucana já se cogitou também o nome da irmã do senador, Andréa Neves, do atual secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Nárcio Rodrigues e do deputado federal Rodrigo de Castro, secretário-geral do PSDB. Mas o consenso no partido é de que a definição ocorrerá apenas após a confirmação da candidatura presidencial de Aécio, já lançada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente nacional da legenda, Sérgio Guerra (PE).

"Esse quadro nacional é que vai influenciar a eleição em Minas. Quer para o governo do Estado, quer para o cargo de senador", disse Anastasia, confirmando que as negociações de apoio ao tucano vão influenciar diretamente na definição do cenário no Estado.

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