Base complica situação de Cabral em momento decisivo

Compromissos partidários locais não tiveram peso na votação que livrou o governador Sérgio Cabral (PMDB) de depor na CPI do Cachoeira. Cabral teve em seu benefício três votos decisivos do oposicionista PSDB, mas viu cinco parlamentares de partidos que integram sua base no Estado votarem a favor da convocação. No final, saiu vitorioso por 17 votos a 11.

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2012 | 03h22

Entre os filiados a partidos aliados de Cabral que votaram pela convocação do governador estavam dois deputados do Rio: Miro Teixeira, do PDT, e Hugo Leal, do PSC. Também foram favoráveis à presença do governador na CPI o senador Pedro Taques (PDT-MT) e os deputados Paulo Foletto (PSB-ES) e Sílvio Costa (PTB-PE). O PPS e o PSD, que recentemente se aliaram a Cabral no Rio mas não integram a base da presidente Dilma Rousseff, foram favoráveis à convocação do governador, com os votos do deputado Rubens Bueno (PPS-PR) e da senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

"Amo o Rio e não quero ver o Estado nas manchetes internacionais por um embate político. Seria um desserviço ao País e ao Estado convocar Cabral."

Parece um aliado falando, mas é o senador do PSDB Cássio Cunha Lima (PB), que votou contra a convocação de Cabral. O tucano teve o mandato de governador da Paraíba cassado por abuso do poder econômico e foi eleito senador em 2010. "Enfrentei uma crise, sei o quanto é custoso para o Estado. Contra Cabral, há apenas fotos de péssimo gosto", afirma Cunha Lima, em referência à divulgação de imagens de viagens de Cabral à França em companhia de Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta, investigada na CPI.

Os três tucanos que votaram contra a convocação dissociam seus votos de qualquer ação política, mas o bom trânsito de Cabral no PSDB, partido ao qual foi filiado e onde tem bons amigos, como o senador Aécio Neves (MG), ajudou no ambiente favorável.

"Não mudei de lado. Sempre tive a mesma convicção. O escopo da CPI é investigar integrantes da quadrilha e pessoas referidas pelos integrantes. Sérgio Cabral nunca foi referido", diz o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). "Sempre dissemos que a CPI tem que ser imparcial. Não seria coerente votar pela convocação de Cabral", argumenta o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), ligado a Aécio.

O voto dos companheiros contrariou o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), pré-candidato a prefeito do Rio, que vinha trabalhando pela convocação do adversário.

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