Base aliada reage e pede convocação de Aécio para depor em CPI

Deputado Afonso Florence (PT-BA) apresentou requerimento para que comissão que investiga a Petrobrás ouça o candidato e outros quatro tucanos

Ricardo Brito e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 17h50

Brasília - A base aliada na CPI mista da Petrobrás decidiu reagir à oposição e apresentou nesta quarta-feira requerimentos para convocar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), adversário de Dilma Rousseff (PT) na corrida ao Palácio do Planalto, e outros quatro tucanos para depor ao colegiado. Os pedidos, assinados pelo deputado federal Afonso Florence (PT-BA), têm por objetivo investigar declarações segundo as quais integrantes do PSDB seriam beneficiários do esquema de pagamento de propina em contratos da estatal.

Na justificativa do requerimento para convocar Aécio Neves, Florence citou o fato de que o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou, em delação premiada, que o ex-senador e ex-presidente tucano Sérgio Guerra teria recebido R$ 10 milhões do esquema para ajudar no "esvaziamento" de uma CPI que em 2009 também investigava a Petrobrás. Morto em março, Sérgio Guerra foi sucedido na presidência do partido por Aécio.

O deputado do PT sustentou ainda que Leonardo Meirelles, apontado pela Polícia Federal como "testa de ferro" do doleiro Alberto Youssef em negócios do laboratório Labogen, também envolveu no esquema, além de Sérgio Guerra, parlamentares do PSDB da mesma região do doleiro. Youssef é de Londrina, no Paraná. Por essa razão, Florence também pediu a convocação do vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), do deputado Luiz Carlos Hauly (PR), e ainda dos tesoureiros da campanha presidencial tucana em 2010 e do partido, respectivamente José Gregori e Rodrigo de Castro. Nesta quarta, contudo, um advogado de Youssef disse que Meirelles mentiu e que seu cliente quer uma acareação com ele. 

"Portanto, a oitiva do senador Aécio Neves é fundamental para que esta CPMI possa elucidar os atos de corrupção que foram efetivamente praticados, os agentes corruptores, os beneficiários e o modus operandi utilizado, ao mesmo tempo em que possibilitará ao referido depoente defender a agremiação que preside de tais alegações", afirma Florence, no requerimento.

Ao anunciar a apresentação dos pedidos, o deputado do PT bateu boca com a oposição durante a audiência desta tarde da CPI mista, na qual estava previsto inicialmente para ouvir o depoimento do atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza - a Petrobrás enviou um atestado médico no qual diz que ele estava "impossibilitado" de comparecer ao depoimento por ter tido um episódio de hipertensão arterial.

"Ele (Aécio) venha prestar esclarecimentos para isentar os membros do PSDB (…). Temos que dar oportunidade a deputados e o presidente do partido se defender", afirmou. O líder do Solidariedade da Câmara, Fernando Francischini (PR), ironizou a iniciativa do petista. "Deu um surto de convocação!". Florence protestou. "Vossa excelência me respeite, eu respeito Vossa Excelência inclusive quando diz bobagem", respondeu, dizendo que a iniciativa dele não era brincadeira. "O senhor está rindo da nossa cara", criticou Franceschini.

Em entrevista logo após a reunião, o relator da CPI, o deputado petista Marco Maia (RS), destacou que a "grande novidade da semana foi a presença do PSDB nas denúncias". "Imagine que, não estando dentro, já tem esta participação (do PSDB), imagina se estivesse dentro", afirmou Maia.

Vaccari. Até o momento, os aliados estavam na defensiva em relação ao escândalo da Petrobrás. Há duas semanas, Youssef e Costa prestaram depoimentos públicos à Justiça Federal do Paraná nos quais acusaram o tesoureiro do PT, João Vaccari, de ser o responsável por cobrar propinas de empreiteiras sob contratos da estatal. Em nota, Vaccari negou as acusações. Por isso, a oposição tentou, sem sucesso, convocar o tesoureiro do PT antes do segundo turno. Como vacina política, Florence também apresentou um pedido de convocação de Vaccari - que, na prática, só deve ser apreciado após o resultado de domingo, 26.

Ao todo, o deputado petista apresentou oito requerimentos de convocação. Ele quer também o comparecimento do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, envolvido por Paulo Roberto Costa no suposto esquema de propina ao PT, e do senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PSB). Esse último teria pedido, segundo Florence, uma ajuda financeira a Alberto Youssef para a campanha à reeleição em 2010 do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em agosto passado. Bezerra Coelho ocupava à época, o cargo de Secretário de Desenvolvimento do governo Campos e presidente do Complexo Portuário de Suape.

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