Base aliada aprova convite para ouvir FHC e Gurgel

Manobra foi reação à tentativa da oposição de convocar Valério para falar sobre denúncias contra Lula; presença em comissão não é obrigatória

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h05

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto (SP), se uniu ontem ao senador Fernando Collor (PTB-AL) a fim de aprovar um convite para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, compareçam ao Congresso Nacional. A dupla não escondeu se tratar de uma reação à intenção da oposição de chamar Marcos Valério para depor por causa das novas revelações feitas pelo empresário à Procuradoria-Geral da República.

"Se eles querem guerra, vão ter", disse Tatto na saída da reunião da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, onde foram aprovados os requerimentos.

Antes, os partidos da base conseguiram adiar a votação, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, de requerimento de convite para que Valério fale sobre o depoimento prestado em 24 de setembro, no qual afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve despesas pessoais pagas pelo esquema do mensalão.

Tatto é autor do requerimento relativo ao ex-presidente, no qual pede que o tucano explique "as informações contraditórias sobre documento relativo a doações a agentes políticos" que teriam sido feitas pela empresa Furnas Centrais Elétricas, a chamada lista de Furnas. O documento veio a público durante a CPI dos Correios, em 2005. Laudo da Polícia Federal diz que ele é falso.

O convite ao procurador-geral é de autoria de Collor, também presidente da Comissão de Atividades de Inteligência. O ex-presidente da República e hoje senador quer que Gurgel dê explicações sobre o uso de meios de inteligência nas Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, ambas responsáveis por desmantelar a rede de corrupção e tráfico de influência mantida pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na CPI do Cachoeira, Collor já havia escolhido o procurador como alvo de convocações, mas foi derrotado pela maioria do colegiado nas tentativas. Gurgel é acusado de não ter dado prosseguimento a investigações contra o senador cassado Demóstenes Torres mesmo após a Operação Vegas ter apontado indícios de sua estreita ligação com Cachoeira.

Na mesma sessão da Comissão de Atividades de Inteligência que aprovou os requerimentos de convite para Fernando Henrique e Gurgel, a oposição tentou aprovar requerimentos com a mesma finalidade para ouvir os ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e Rosemary Noronha. Mas o bloco foi derrotado.

Essa comissão tem por finalidade fiscalizar as atividades de inteligência. Todos os requerimentos, tanto os da oposição quanto os dos governistas, usaram de artifícios e subterfúgios para conseguir encaixar no seu conteúdo alguma relação com as atividades de inteligência.

Tatto, que tem lugar na comissão por acumular a função de líder da maioria na Câmara, reconheceu que foi a primeira que vez que compareceu a uma de suas sessões. Disse que gostou. "Acho que vou voltar mais."

Por terem sido convidados, e não convocados, Fernando Henrique e Gurgel não precisam comparecer ao Senado. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), disse que, se for procurado pelo ex-presidente, vai aconselhá-lo a dizer que não sabe nem do que trata a chamada "lista de Furnas".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.