Base abandona Negromonte e poupa petistas

Aliados e oposição fecham acordo para convidar ministro a explicar na Câmara a fraude do VLT

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h03

Nome certo a ser substituído na reforma ministerial, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, foi rifado pelo governo, abandonado pela base aliada e por ala de seu próprio partido, o PP.

Depois de blindarem os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Padilha (Saúde), os aliados aprovaram requerimento apresentado pela oposição convidando Negromonte para depor na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, no dia 14.

O comportamento dos governistas aborreceu parte do PP. "Foi um acordo que fizemos para o ministro vir aqui. Nem precisava ter votado o requerimento", disse o deputado Carlos Magno (PP-RO), um dos destacados para negociar a ida de Negromonte ao Congresso. Ele e o deputado Esperidião Amin (PP-SC) reclamaram da atuação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que subscreveu o requerimento da oposição.

"Fiquei irritado porque o Eduardo Cunha falou em nome do PP e fez um encaminhamento para o ministro Negromonte e outro diferente para o Gilberto Carvalho", disse Magno. Momentos antes, os governistas usaram o rolo compressor para impedir, por 12 votos a 4, a aprovação da convocação de Gilberto Carvalho. "Derrotei mesmo para mostrar que a gente tem base e que estamos dando satisfação à sociedade e não à oposição", justificou Cunha.

Fraude. Daqui a duas semanas, Negromonte vai à comissão explicar a fraude do documento que abriu caminho para a aprovação de projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá (MT), encarecendo em R$ 700 milhões a obra de mobilidade urbana para a Copa de 2014, como o Estado revelou.

Ao mesmo tempo em que rifou Negromonte, o governo se mobilizou para evitar a convocação de outros envolvidos no escândalo, como a diretora de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Luiza Gomide Vianna, e o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto. A ideia é concentrar o caso apenas em Negromonte.

Luiza mudou o parecer que vetava uma alteração defendida pelo governo de Mato Grosso. A mudança foi feita a pedido de Cássio Peixoto, braço direito do ministro. A troca aumentou o custo do projeto em R$ 700 milhões, atingindo R$ 1,2 bilhão. A oposição também queria ouvir Higor Guerra, analista de infraestrutura do Ministério, que denunciou a fraude na documentação que trata da implantação de sistema público em Cuiabá.

"Não deixamos nem votar esses requerimentos porque não vamos fazer a Comissão de Fiscalização virar uma CPI de cada ministro, chamando cada funcionário envolvido no episódio", afirmou Eduardo Cunha. À exceção do requerimento de Gilberto Carvalho, votado nominalmente, os demais pedidos de convocação dos Miriam Belchior e Alexandre Padilha foram derrubados pelos governistas.

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