Barbosa explica 'mensalão' à Justiça do DF

Delator do esquema reafirma que pagou mesadas à parlamentares aliados do ex-governador Arruda

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2011 | 03h01

Dias após o segundo aniversário da Operação Caixa de Pandora, que investigou suspeitas de corrupção no Distrito Federal, o principal delator, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, reafirmou ontem na Justiça a existência do esquema, que ficou conhecido como "mensalão do DEM".

Barbosa disse que foi cooptado para captar dinheiro para o financiamento da campanha do ex-governador José Roberto Arruda em 2006. Segundo ele, o dinheiro era proveniente de propinas de contratos de informática. "A finalidade da referida 'gestão' era administrar os bens advindos das propinas pagas em virtude desses contratos, tratando-se, na verdade, de uma rapinagem."

O delator confirmou o pagamento de mesadas de R$ 20 mil à ex-deputada Eurides Brito e disse que outros parlamentares também receberam dinheiro. "Todos os deputados da base aliada recebiam o mensalão."

Vídeo. Eurides também prestou depoimento ontem. Ela afirmou que o vídeo é verdadeiro, mas que as informações foram deturpadas pela imprensa. Segundo ela, as imagens dizem respeito a eventos ocorridos em 1996 e o dinheiro tinha o objetivo de ressarcir despesas feitas com atividades político-partidárias, que incluíam reuniões, churrascos e jantares, num total de cerca de R$ 28 mil.

Ela também confirmou que foram apreendidos em sua casa R$ 244 mil e US$ 9 mil e afirmou que o dinheiro era fruto do seu trabalho e de seu marido. Eurides disse que tinha o hábito de guardar dinheiro em casa por sugestão do marido, após o confisco no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Prisão. Além das imagens de deputados recebendo maços de dinheiro, a prisão do então governador José Roberto Arruda marcou a Operação Caixa de Pandora. Arruda foi preso em fevereiro de 2010 por determinação do Superior Tribunal de Justiça. Os ministros tomaram a decisão após concluírem que havia suspeitas de que ele tinha tentado subornar uma testemunha do suposto esquema de pagamento de propina.

Durval Barbosa afirmou que existem outros vídeos sobre o recebimento de dinheiro. "Ficou acertado em reunião na residência de Arruda que as autoridades políticas deveriam ser alimentadas, ou seja, pagas para que sustentassem apoio à referida candidatura de Arruda", disse. Ele citou os nomes de pelo menos outras nove pessoas que teriam recebido dinheiro do esquema.

Outro lado. O advogado Edson Smaniotto, que defende Arruda, disse em nota ter sido "inócua" a "nova tentativa do delator da Caixa de Pandora, Durval Barbosa, de responsabilizar o ex-governador José Roberto Arruda pelos desvios ocorridos na Codeplan". Para ele, ficou "ainda mais claro que tais crimes foram cometidos durante o período de 1998 a 2006". "Portanto, no governo anterior ao de Arruda."

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