Barbiere promete obra com verba do Estado

Agora candidato a prefeito em Birigui, a 510 quilômetros de São Paulo, o deputado Roque Barbiere (PTB) usa em sua campanha o mesmo governo do Estado que chegou a ameaçar durante a crise das emendas para sustentar economicamente a sua principal proposta aos eleitores: a construção de barracões industriais para microempreendedores.

O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h04

Em sua defesa apresentada por escrito em outubro do ano passado ao Conselho de Ética da Assembleia, que investigava suas acusações sobre a venda de emendas, Barbiere respondeu a uma afirmação feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que sustentou que o deputado tinha "o dever público" de apontar os nomes dos deputados que estariam vendendo emendas.

"Por que será que o governo se manifesta com tanta veemência se eu não os acusei, ainda, de fazer nada errado?", indagou o deputado petebista em carta.

Agora, no entanto, Barbiere conta com o governo Alckmin para ancorar sua proposta. "Vamos fazer com verbas do governo do Estado que existem. Nós vamos usar para o microempreendedor que quiser começar a sua indústria de calçado ou de imóveis."

O deputado tenta em 2012 realizar um projeto de longa data: derrotar o atual prefeito, Wilson Borini (sem partido), um inimigo figadal para quem já perdeu a última eleição. Borini não pode se reeleger, mas lançou um candidato de sua estrita confiança, Pedro Bernabé (PDT), seu amigo pessoal. Barbiere diz apenas que quer ser prefeito para retribuir à população o que ela lhe fez. "Me fizeram deputado seis vezes, vereador e vice-prefeito. Meu sonho é retribuir isso."

O candidato estima um gasto de campanha de até R$ 1,2 milhão - e diz acreditar que não conseguirá arrecadar esse montante. "Se não der, vou ter que vender meu sítio para pagar", afirma.

Embora integrantes da campanha de Bernabé defendam a exploração do caso das emendas contra Barbiere, já que o deputado não apresentou os nomes dos vendedores de emendas, o prefeito Borini rechaça a ideia. "Ele é meio fanfarrão, gosta de falar muito. Agora está vestido de santo. Mas é deixar ele falar e ele se mata sozinho." / F.G.

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