Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Banco Central tem que ter mandato duplo, diz Ciro Gomes

Na avaliação do pedetista, a adoção da medida seria uma forma de o Brasil se alinhar às 'melhores práticas mundiais'

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2018 | 02h17

O candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018Ciro Gomes, voltou a defender a instituição de mandato duplo de inflação e taxa de desemprego para o Banco Central no País.

Na avaliação dele, a adoção do duplo mandato seria uma forma de o Brasil se alinhar às "melhores práticas mundiais", a exemplo do modelo adotado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e o Banco Central Europeu (BCE).

"Esta questão da meta de inflação da forma como é feita no Brasil é simplesmente jogada, canalhice deste baronato", afirmou em entrevista ao Jornal da Globo. Ele defendeu ainda que os países que adotam o mandato único de inflação têm alta estabilidade, o que não ocorre no Brasil já que a economia é "altamente" indexada.

Ao exaltar números de inflação durante a gestão dele no Ministério da Fazenda, Ciro reafirmou o compromisso de manter os preços sob controle em um eventual governo. "A inflação aceitável por mim é zero. Os preços centrais da economia vão ajudar quem trabalha e produz."

Ainda sobre economia, Ciro se declarou como nacionalista "fervoroso" e que, por isso, é contrário ao acordo da Boeing com a Embraer. "Não tenho nada contra ela (Embraer) ser privada. Mas vou usar as minhas prerrogativas como presidente para proteger as empresas brasileiras. Os americanos acabaram de proibir a China de comprar a Qualcomm. Nós não podemos entregar o que sobrou, que é o petróleo e a Embraer, na mão do capital externo. Minério de ferro não vai pagar a nossa conta sozinho", afirmou.

Ciro, no entanto, disse não enxergar incoerência no discurso dele, que é de proteção às regras e aos contratos. "Esta revisão das reformas feitas pelo Temer não são quebra de contrato. O que aconteceu com a reforma trabalhista foi uma fraude no Senado. O Senado votou e o veto do presidente não ocorreu", afirmou.

O pedetista defendeu mais uma vez o modelo de capitalização como solução para o gargalo da Previdência no País, e voltou a dizer que o custo total para a migração de formato seria de R$ 500 bilhões. 

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