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Bancada evangélica prioriza avanço na Câmara, mas teme divisão de votos

Divisão dos votos entre os postulantes, combinada à dificuldade de viabilizar nomes na corrida ao Senado, levaram as igrejas a escolher a eleição de deputados como prioridade

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2018 | 17h54

Integrantes da bancada religiosa na Câmara temem que o número de evangélicos eleitos neste ano seja menor que o de eleições anteriores. O motivo é a quantidade elevada de candidatos que se lançaram na disputa. A divisão dos votos entre os postulantes, combinada à dificuldade de viabilizar nomes na corrida ao Senado, levaram as igrejas a escolher a eleição de deputados como prioridade no pleito.

Hidezaku Takayama (PSC-PR), por exemplo, chegou a anunciar sua pré-candidatura ao Senado, mas terminou na corrida por seu sexto mandato como deputado federal. "Estamos vendo uma lacuna no Senado. Uma eleição majoritária não é fácil, a gente leva chumbo e não leva chumbo de arma pequena, leva de canhão", disse o parlamentar.

Marco Feliciano (PSC-SP) também foi cotado como candidato a senador, mas decidiu tentar um novo mandato na Câmara. "Eu não creio no crescimento da bancada evangélica desta vez. Como cresceu e todo mundo achou bonito, todo mundo quer ser candidato e a igreja, que só tinha um candidato, agora tem 50. Você divide e não elege ninguém", disse o parlamentar à reportagem.

Nos cálculos do pastor Takayama, que coordena o grupo na Casa, há 198 deputados que são evangélicos ou são apoiados por igrejas, o que representa 39% dos deputados na legislatura atual. O parlamentar não acredita que a bancada chegará a 40% da Câmara após esta eleição. "Algumas pessoas imaginam que os evangélicos estão se unindo para eleger um número maior. Não é isso, não. A gente está jogando com o cálculo empírico. Está crescendo o número de evangélicos, automaticamente vai crescer o número de parlamentares evangélicos", comentou Takayama.

Diversificação

Uma estratégia para minimizar a concorrência interna é diversificar. Os cinco filhos do missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, se lançaram na disputa. Três deles são candidatos a deputado federal e cada um concorre em um Estado diferente, o que evita uma divisão dos votos.

Marcos Soares (DEM) tenta a reeleição no Rio, onde faz uma dobradinha com o irmão Filipe Soares (DEM), que está em busca de um novo mandato na Assembleia Legislativa. David Soares (DEM), vereador da capital paulista, se candidatou a federal por São Paulo, e tem na dobradinha o irmão Daniel Soares (DEM) para estadual. Já André Soares (DC), que atualmente é deputado estadual por São Paulo, mudou seu domicílio para concorrer à Câmara por Minas Gerais.

A prática de lançar candidaturas oficiais é comum e histórica na Assembleia de Deus do Belém, liderada por José Wellington Bezerra da Costa, onde ocorrem até prévias em alguns Estados para decidir os candidatos a serem apoiados oficialmente. Em São Paulo, José Wellington tenta reeleger seus filhos Paulo Freire da Costa (PR-SP) na Câmara e Marta da Costa (PSD) na Assembleia Legislativa. "Acredito que a reeleição deles não será muito difícil, apesar de que a imprensa tem falado de tanto problema com político. Mas os nossos, pela grande misericórdia de Deus, não deixaram as mãos manchadas", disse o pastor. 

 

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