Autoridades italianas sabiam da situação de ex-diretor do BB

Mesmo com condenação pelo mensalão e retenção de passaportes no Brasil, Pizzotato obteve 2ª via de documento

Jamil Chade e Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2013 | 02h20

Autoridades italianas tinham ciência da situação do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato antes de sua fuga. Pessoas próximas do petista afirmam que ele deixou o Brasil via Paraguai, passou pela Argentina e, com uma segunda via de seu passaporte italiano - ele tem dupla cidadania - embarcou para a Itália.

Condenado por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo Supremo Tribunal Federal, Pizzolato estava com seus passaportes apreendidos no Brasil. Mesmo sabendo da situação do condenado, as autoridades italianas concederam, segundo fontes do governo daquele país, uma outra via do documento para ele embarcar para a Europa.

O governo italiano ordenou a todos os seus ministérios um silêncio total em relação ao caso, que entra hoje em seu quinto dia desde que foi divulgada a fuga do ex-diretor do banco estatal.

A "blindagem", segundo dizem informalmente autoridades italianas, tem como objetivo evitar uma crise diplomática. Em sua edição de ontem, o Estado revelou detalhes sobre a fuga de Pizzolato, desde sua residência, na rua Domingos Ferreira, em Copacabana, Rio de Janeiro. Em Roma, diplomatas italianos confirmaram, reservadamente, que a situação do ex-diretor do banco estatal era "conhecida" entre as autoridades.

O Ministério das Relações Exteriores da Itália não confirma como Pizzolato recebeu seu passaporte. O motivo oficial do silêncio: Pizzolato é cidadão italiano, sem antecedentes criminais na Itália e que, estando no país, não teria por que ter sua vida privada revelada ou ser constrangido por controles estatais.

Teoricamente, o caso é centralizado no Ministério da Justiça. Mas os responsáveis por esta pasta se recusam a falar sobre o assunto e nem mesmo confirmam se Pizzolato está na Itália. "Não temos nada a dizer sobre esse assunto por enquanto", informou a assessoria de imprensa do ministério. Um dos argumentos usados pelos representantes é o de que o Ministério da Justiça passa por uma crise, com a possível demissão ainda hoje de sua chefe, Annamaria Cancellieri, acusada de tráfico de influência.

Em Roma, as autoridades estariam conscientes de que o caso pode azedar a relação entre as duas capitais, principalmente diante da rota usada pelo fugitivo para chegar até a Itália. Outro fator que chama a atenção é o que Pizzolato já teria viajado para a Itália em 2012.

No Ministério do Interior, onde fica o escritório italiano da Interpol, a ordem também é de vetar qualquer informação sobre o caso à imprensa. "Estamos instruídos a não falar nada sobre esse caso", informou um representante do ministério.

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