Aumento na Câmara vira jogo de empurra em BH

Cortejado pelas direções do PT e PSDB mineiros para a disputa pela reeleição, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), deve evitar o ônus em ano eleitoral e deixar para a Câmara Municipal a publicação do projeto de aumento dos salários dos vereadores da capital.

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h06

Aprovado na última sessão de 2011 por 22 votos a favor e 16 contra, o texto aumenta em 61,8% os vencimentos dos vereadores a partir de 2013. Se aprovado, o índice elevará os salários de R$ 9.288,05 para R$ 15.031,76. Ontem, a Câmara enviou o texto para Lacerda, que pode vetá-lo ou sancioná-lo. Um interlocutor do prefeito disse que ele não se posicionará sobre o tema, para não melindrar aliados.

Com isso, na avaliação do interlocutor, Lacerda espera evitar desgaste com os parlamentares, ao mesmo tempo que evita cobranças do eleitorado. Se o prefeito não se manifestar no prazo de 15 dias úteis, o presidente em exercício da Câmara, vereador Alexandre Gomes (PSB), poderá promulgar a lei."Tem uma pressão popular e ninguém quer um desgaste desses. Mas, se houver veto, pode-se criar arestas com os vereadores", defendeu-se Lacerda.

Atualmente, o PSB do prefeito está nas graças tanto da base de apoio do governo federal quanto da oposição, principalmente pela força de seu presidente, o governador Eduardo Campos (PE).

'Absurdo'. Pouco depois da fala do prefeito, o grupo "Veta Lacerda" - criado nas redes sociais - fazia um protesto na frente da prefeitura contra o aumento. "O porcentual que colocaram é absurdo. O referencial de aumento de outras categorias não chega nem perto. É abuso de poder", disparou um dos integrantes do grupo, Guilherme Lima, líder estudantil da UFMG. Ele acredita na possibilidade de o projeto não vingar. "Diante da (má) repercussão que teve esse aumento, se o prefeito não se manifestar, acreditamos que a Câmara vai recuar", afirmou.

Para o presidente da Casa, a provável abstenção de Lacerda não é uma manobra, mas sim uma "tradição". Lembrando seus 20 anos de Câmara, Gomes adverte que "é praxe o prefeito não sancionar aumentos". "Foi assim nas três últimas legislaturas", alegou. Ele vê na campanha contra o aumento pressão para enfraquecer o partido antes das negociações para a disputa eleitoral - tanto integrantes do PT quanto do PSDB já mostraram interesse por uma aliança em torno da reeleição de Lacerda, em outubro. "Há uma campanha velada contra o prefeito", disse.

Gomes acredita que a mobilização nas redes sociais também tem "manipulação para atingir o Lacerda". O vereador admite que o índice do aumento é elevado, mas argumenta que "ele não foi inventado". "É cópia do aumento dos deputados estaduais. Nosso salário fica congelado."

O vereador alegou ainda que os aumentos só valem para a legislatura seguinte. "O salário para a maioria pode parecer alto. Mas um médico recém-formado ganha R$ 6 mil. É o que eu ganho com os descontos", acrescentou Gomes, que é médico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.