Atuação de Alckmin preserva plano de 2014

Insistência do governador para Serra ser candidato está relacionada com temor de aproximação de Kassab com o PT nas próximas eleições

BRUNO BOGHOSSIAN , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h05

Para defender a formação de um cenário favorável à sua reeleição em 2014, o governador Geraldo Alckmin precisou se reaproximar do grupo de José Serra no PSDB e moldar a prévia do partido para a Prefeitura de São Paulo, enquanto tentava manter uma postura de independência no processo.

Sem acordo para formar uma aliança com Gilberto Kassab (PSD), Alckmin viu na aproximação do prefeito com os petistas o crescimento de uma força política no Estado e uma ameaça a seu próprio futuro. Se o PT vencesse às eleições na capital, poderia se aliar a Kassab para tentar derrubar a recondução do tucano ao Palácio dos Bandeirantes.

Nos últimos quatro meses, Alckmin agiu para evitar que os tucanos corressem o risco de chegar enfraquecidos nas eleições municipais. O primeiro sinal de alerta se deu com a análise das pesquisas de opinião que mostravam os quatro pré-candidatos do PSDB (Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Tripoli) patinavam nas pesquisas de intenção de voto.

Ainda em 2011, Alckmin pressionou o partido para adiar a prévia de janeiro - como queriam os pré-candidatos - para março. Como Kassab dizia que só apoiaria um candidato do PSDB se o nome escolhido fosse Serra, o governador ganhou tempo para convencê-lo a entrar na disputa ou tentar formar um arco de alianças robusto sem o PSD.

Serra tinha como trunfo sua popularidade na capital, mas reiterava que mantinha seu foco nos problemas nacionais e se recusava a disputar a Prefeitura. Além disso, ele e Alckmin se estranhavam desde 2008, quando ambos disputaram a Prefeitura,

No início de fevereiro, com os primeiros sinais de aproximação entre Kassab e o PT, Alckmin decidiu fazer uma série de investidas para que Serra se lançasse candidato. Pediu a emissários que garantissem "todo o apoio" do Palácio dos Bandeirantes para assegurar sua vitória.

Depois que Serra aceitou, Alckmin atuou para convencer dois de seus secretários, Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente), a abandonarem a disputa.

O governador ainda cedeu nomes fortes de seu gabinete para a equipe de coordenação de sua pré-campanha de Serra e pressionou a direção municipal do partido para que adiasse a prévia por três semanas. Alckmin só não queria subir no palanque de Serra, alegando que uma intervenção esquentaria o clima no partido. Na semana passada, o governador fez o último movimento para evitar que Serra saia enfraquecido das urnas e exponha uma divisão do PSDB: declarou o voto nele "como militante".

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