O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h42

O alvo real das manifestações de ontem é o governo federal. No fundo o que se deseja é pressionar a presidente Dilma Rousseff para que instale a Comissão da Verdade. Aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidência em novembro do ano passado, ela ainda não saiu do papel.

O temor do Levante Popular da Juventude e das organizações que o apoiam, entre elas o Movimento dos Sem Terra (MST), a Consulta Popular e movimentos de familiares de mortos e desaparecidos, é que a presidente esteja adiando a nomeação dos integrantes da comissão com medo de reações no meio militar. A ideia de se fazer essa espécie de escracho público de pessoas acusadas de crimes de tortura e morte nos anos da ditadura surgiu logo após o manifesto dos militares da reserva contra a comissão. É importante observar também que a ideia ganhou corpo e chegou à rua a cinco dias do aniversário do golpe militar de 31 de março de 1964.

Organizações de direitos humanos acreditavam que a presidente anunciaria os integrantes da comissão no fim da semana passada. Ela já teria definido uma lista com dez nomes, faltando apenas o filtro final, que eliminaria três deles.

Nas negociações, rigorosamente sob o controle da presidente, observou-se uma forte preocupação em englobar nomes do agrado do PSDB. Coube ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazer as articulações com os tucanos. O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral, fez consultas com alguns indicados para saber se aceitariam o convite da presidente.

Familiares de mortos e desaparecidos levaram sugestões de nomes à ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Também pediram audiência com a presidente, mas não foram atendidos. O Planalto deixou claro que a comissão nunca seria definida por meio de eleição ou sob pressão.

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