Ato pró-condenados do mensalão tem mais convite vendido que participante

Juventude do PT de Brasília promoveu jantar para pagar multas de petistas envolvidos no processo; das 150 vendas, somente cerca de 70 compareceu

Débora Álvares, de O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2013 | 02h05

BRASÍLIA - O jantar promovido pela Juventude do PT de Brasília para ajudar a pagar as multas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal a petistas condenados no mensalão teve baixo quórum. Dos 170 convites oferecidos, 150 foram vendidos até o fim do evento. No entanto, compareceram cerca de 70 pessoas à Galeteria Gaúcha, restaurante localizado em um dos barros nobres da cidade. Nenhuma delas de expressão na sigla.

Com ingressos de R$ 100, R$ 200, R$ 500 e R$ 1 mil, o PT arrecadou pelo menos R$ 15 mil - levando em conta só o preço mínimo. O valor total, contudo, não foi informado. Do total levantado, serão retirados os custos do jantar - R$ 46 por pessoa, inclusos o buffet e bebida não alcoólica.

A iniciativa beneficia o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e os deputados José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP), condenados a pagar, juntos, R$ 1,8 milhão.

Para um dos organizadores, Pedro Henrichs, porém, o valor não é o mais importante. A intenção era espalhar a iniciativa pelo País, ideia que já parece ter dados frutos. "O pessoal do Rio Grande do Sul vai promover um evento semelhante na segunda quinzena desse mês", afirmou.

Apesar do pouco movimento, uma moradora da região que soube do jantar pelo noticiário, decidiu fazer um protesto silencioso. A advogada Marília Gabriela Ferreira de Faria, de 31 anos, chegou à porta do restaurante com um recado escrito em uma folha de papel: "Querem ajudar seus amigos? Dividam com eles parte da pena restritiva de liberdade".

Ela classificou a iniciativa do jantar como imoral, apesar de saber que não é ilegal. "Quem ajuda bandido também está contribuindo para o crime", disse. O cartaz foi deixado na porta do restaurante, até que um dos militantes presentes retirou a placa.

Marthius Sávio Lobato, advogado do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato - um dos condenados pelo STF - foi uma das presenças mais marcantes da noite. Lobato afirmou ter comparecido a convite do PT Brasília, não tendo contribuído como a arrecadação. No discurso ele ressaltou que não houve desvio de recursos públicos no mensalão. "Direito e Justiça não podem ser separados. O processo não terminou. Há batalhas a serem enfrentadas", afirmou.

O diretor regional da CUT, Cícero Rola, disse que comprometeria 10% da sua renda familiar ou deixaria de pagar a prestação da casa para ajudar Dirceu e Delúbio.

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