Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Atentado contra Bolsonaro influenciou em pesquisa, diz analista

Para Kleber Carrilho, cientista político da Umesp, aumento das intenções de voto do presidenciável do PSL, no entanto, não garantem candidato no segundo turno

Entrevista com

Kleber Carrilho, professor de Comunicação Política da Universidade Metodista

Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 22h05

O atentado ao candidato Jair Bolsonaro influenciou na mais recente pesquisa presidencial Ibope divulgada nesta terça-feira, 11, afirma o professor de Comunicação Política da Universidade Metodista de São Paulo, Kleber Carrilho. Para o analista, a presença do presidenciável no segundo turno não está garantida. Já a transferência dos votos de Lula para o novo candidato do PT, Fernando Haddad, deve aumentar cada vez mais, prevê Carrilho.   

Até que ponto o atentado contra Bolsonaro influenciou nos resultados da pesquisa?

Influenciou completamente. Temos um cenário ainda em construção. As pesquisas não dão conta de estabilidade da decisão dos eleitores. As pessoas estão sob efeito da comoção do atentado ao Bolsonaro e da decepção sobre a saída do Lula da corrida. Apesar do aumento da intenção de votos ao Bolsonaro agora, muito pode mudar até outubro: será outro momento. Outra questão é que Geraldo Alckmin (PSDB) ainda tem bastante tempo na TV e no rádio, enquanto Bolsonaro não tem esse recurso. É possível continuar a desconstrução do Bolsonaro, pelo menos com tentativas.

Sendo oficializado como o candidato do PT, o ex-prefeito Fernando Haddad tem chances de absorver os votos do Lula?

Acredito que sim. Notamos uma empinada do Haddad, esse é o momento. A comunicação será forte agora. Vale notar que a militância do PT ainda existe, e ela é forte para convencer as pessoas na rua, como foi com a reeleição de Dilma Rousseff em 2014. Haddad ganharia cerca de 50% do que o Lula tinha nas outras pesquisas. Isso já garante para ele por volta de 20% dos votos no primeiro turno. Tanto Marina Silva (Rede) quanto Ciro Gomes (PDT) não dão conta de absorver esse eleitorado, não captam uma parte importante do voto que era do Lula. Ciro vai ter que tomar uma decisão a partir de agora: criticar o Haddad. Ele pode até dizer que é herdeiro do Lula, mas a comunicação do PT será mais forte e dará o Haddad como herdeiro.

Na sua opinião, qual seria um cenário provável de segundo turno?

Haddad com Bolsonaro ou com Alckmin no segundo turno, mais provável Alckmin. As pessoas não estão notando que há muita emoção nesse processo. Por isso, ainda não acho que o Bolsonaro esteja garantido no segundo turno, como muitos pensam. A comoção que aconteceu por causa do atentado deu uma mexida grande, importante, porém não o coloca em uma posição tranquila. Imaginamos que a partir da comoção, não cresça mais. Já acho que é o ápice dele, enquanto Haddad e Alckmin ainda têm tempo de propaganda eleitoral para crescerem.

 

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