Atenção, concentração

Ministro da Educação, economista, ação valorizada na bolsa de apostas para possíveis candidatos do PT ao governo de São Paulo e ultimamente presença constante junto à presidente Dilma Rousseff em atos públicos ou reuniões privadas (não necessariamente relacionados à sua pasta), Aloizio Mercadante é um homem confiante.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2013 | 02h13

E, sobretudo, otimista. Enquanto todas as versões sobre o estado de espírito predominante no Palácio do Planalto e adjacências dão conta da preocupação crescente em relação aos efeitos eleitorais da chegada da inflação à mesa das pessoas, Mercadante diz que o governo "está seguro" de que seus principais ativos para a disputa de 2014 estarão preservados.

Trunfos estes amplamente conhecidos: emprego e renda. O que se desconhece é em que medida, e quando, a queda na produtividade, a alta de preços, o baixo crescimento acabarão por afetar esse patrimônio.

A maioria dos analistas alerta que sem uma reação enérgica e amarga do governo, dias piores na economia inevitavelmente virão. Com eles, o aumento da probabilidade de notícias menos alvissareiras que as atuais para a reeleição da presidente Dilma.

Não é o que pensa Mercadante nem, segundo ele, o que prevalece nas análises de governo. Conforme afirmou em recente entrevista ao Estado, o ministro considera que os números do PIB não serão determinantes para abalar o bom humor da população até agora registrado nas pesquisas.

"Na percepção do cidadão em geral" - sejamos claros, do eleitorado -, "a tradução para PIB é emprego e renda". Enquanto esses dois indicadores estiverem altos, alta também será mantida a popularidade da presidente. "É isso que dá apoio social ao governo", diz o ministro, que no quesito abalo da economia não enxerga no horizonte tempo ruim em termos políticos, muito menos céu de brigadeiro para a oposição.

Em verdade, não vê abalos atualmente. São, na visão dele, "desconfortos" passageiros a serem resolvidos antes que possam se transformar em potenciais prejuízos eleitorais.

O ministro chega a fazer uma comparação irônica: "O PSDB está parecendo o PT no tempo do Plano Real". A ironia está no fato de Aloizio Mercadante ter sido um dos conselheiros petistas que garantiram ao partido que o real não tinha chance de dar certo.

De desafio para o governo mesmo Mercadante só vê a necessidade de investimento em qualificação de mão de obra como forma de o País fazer frente a um crescimento maior.

Ele não tem dúvida alguma de que o índice do produto interno será maior em 2013 (façanha não muito difícil diante do menos de 1% em 2012) nem manifesta maiores preocupações com um possível descontrole no combate à inflação.

"Não haverá e vai baixar. Aliás, já está baixando, pois a alta dos alimentos decorreu de problemas na safra agrícola cujo pico foi em outubro." De acordo com ele, a rigor não há razão para maiores temores diante do estouro da meta e do acumulado de 6,59% nos últimos doze meses.

"Desde a instituição do sistema de metas só em 2006, 2007 e 2009 a inflação esteve abaixo de 5,5%."

Carestia. A alta dos preços deu à oposição um mote. "Inflação de alimentos" é o nome do jogo, repetido frase sim outra também pelo senador Aécio Neves, candidato a oponente de Dilma pelo PSDB.

De margens. A ínfima margem de vantagem com que Nicolás Maduro foi eleito deixa-o com pequena margem de manobra para governar a Venezuela a partir dos instrumentos de manipulação chavista. Por si insuficientes e, sem o criador, ineficientes para lidar com a dura realidade da inflação, do desabastecimento e da criminalidade crescente.

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