'Até o 1º comício', diz Lula após químio

Ex-presidente fez primeira sessão do tratamento contra o câncer e, com voz bastante rouca, gravou vídeo para agradecer pelo apoio

GUSTAVO URIBE / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2011 | 03h03

Depois de começar a primeira sessão de quimioterapia e de receber alta para voltar para casa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou ontem um vídeo, por meio de sua assessoria de imprensa, em que agradece as manifestações de solidariedade após o diagnóstico de um tumor na laringe. Ao lado da mulher, Marisa Letícia, e com a voz bastante rouca, Lula demonstrou otimismo e disse que logo voltará às articulações e aos eventos políticos. "Até a primeira assembleia, o primeiro comício, o primeiro ato público", disse, ao encerrar a gravação.

Lula começa o vídeo agradecendo "ao povo brasileiro pelo carinho e solidariedade". "O que aconteceu comigo é daquelas coisas que acontecem com todo mundo, mas a gente pensa que só acontece com os outros, nunca com a gente", afirmou. "Acho que vou vencer essa batalha. Não foi a primeira e não será a última batalha que vou enfrentar, e com a solidariedade de vocês, vai ser muito mais tranquilo, muito mais fácil."

O ex-presidente disse que seguirá todas as orientações médicas. "Vocês percebem que a minha voz não está boa ainda. Estou doido para falar uns 'companheiros e companheiras' mais fortes, mas não estou podendo", afirmou. "Não existe espaço para pessimismo, não existe espaço para ficar lamentando que hoje o dia não foi bom. Se o dia não foi bom, a gente faz ele ficar melhor amanhã, com muita garra."

Lula aproveitou para dar apoio à presidente Dilma Rousseff. "Será inexorável a caminhada do País para se transformar numa grande economia. A gente vai fazer o que precisa ser feito, acreditar na nossa presidenta e ajudá-la, porque é assim que o Brasil vai para frente."

Exames. Segundo a equipe médica do Hospital Sírio-Libanês, Lula reagiu bem à quimioterapia aplicada anteontem - a primeira das três sessões previstas. Os exames feitos na manhã de ontem não apontaram anormalidade em seu quadro clínico. Os oncologistas Paulo Hoff e Artur Katz disseram que, até a próxima sessão de quimioterapia, o ex-presidente deve passar por exames para monitorar seu estado de saúde. "Ele reagiu bem, passou uma noite bem", disse Hoff.

Até o fim de semana, Lula carregará na cintura uma bomba de infusão que injetará os medicamentos pelo cateter colocado abaixo do ombro direito. Os médicos disseram que o ex-presidente pode levar uma vida normal e estuda permitir a realização de atividades físicas leves em esteira, durante o tratamento. "Estamos discutindo até quantos minutos ele poderá por dia fazer esteira", afirmou Katz.

A única recomendação que a equipe médica deu ao ex-presidente é a de não ter agenda pública. Lula cancelou viagens nacionais e internacionais até janeiro de 2012. Em novembro, o ex-presidente iria para Estados Unidos, República Dominicana, Venezuela e Índia.

Articulações. Mesmo sem agenda pública, Lula não deixará de ter influência política. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem que vai procurar o ex-presidente assim que possível. "Nós vamos continuar conversando com ele assim que houver possibilidade de conversar nos próximos dias", disse.

Segundo Falcão, Lula havia dito que reduziria a agenda de palestras em 2012 para se dedicar à campanha nas eleições municipais. "Ele tinha me dito que ia fazer campanha pelo 13 e pelo PT. Assim que se recuperar, fará." Para o presidente do PT, Lula deve gravar programas de rádio e TV, mas é cedo para dizer se vai fazer campanha nas ruas. "Por que vamos fazer esse prognóstico que pressupõe a impossibilidade dele de viajar? Não tem campanha agora." / COLABOROU FERNANDO GALLO

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