Ataques pessoais marcam disputa pelo governo do Ceará

Em ato da candidatura de Camilo Santana (PT), apoiado pelos irmãos Gomes, Ciro chama candidato do PMDB, Eunício Oliveira de 'frouxo', 'covarde' e 'pinóquio mentiroso'

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 10h36

Fortaleza - Era o primeiro ato de campanha do governador Cid Gomes (Pros) após ter se licenciado oficialmente do cargo, mas quem roubou a cena foi o irmão Ciro, também do Pros, que não poupou ataques ao senador Eunicio Oliveira (PMDB). O peemedebista lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do Ceará, à frente do candidato dos irmãos Ferreira Gomes, Camilo Santana (PT). Discursando para centenas de prefeitos e correligionários, ontem à noite, o ex-ministro chamou Oliveira de "Pinóquio Mentiroso", pilantra, frouxo e covarde, além de afirmar que o peemedebista "chantageia" a presidente Dilma Rousseff (PT).

"Temos de proteger o Ceará de um aventureiro que não tem o menor tipo de escrúpulo, que só se preocupa em conseguir contratos com a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal, chantageando a presidente Dilma", afirmou Ciro Gomes. "Ele não passa de um frouxo e um covarde. E o povo do Ceará jamais foi governado por um frouxo e covarde", afirmou o ex-ministro da Integração Nacional (no governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva), ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador, atual secretário estadual de Saúde. Ciro ainda acusou Eunício de ser totalmente despreparado, "que não sabe fazer uma frase inteira" e "se candidatou por vontade de assaltar os cofres públicos". 

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará já concedeu direito de resposta a Eunício por ofensas semelhantes de Ciro em sua página no Facebook, em 3 e 6 de setembro.

Em encontro com evangélicos, também na noite de segunda, o senador afirmou que vai processar Ciro. "Meus filhos são acordados de madrugada por esse secretário da Saúde que não tem o que fazer. Que nunca deu um dia de serviço a ninguém. Fica acordando criança de madrugada para dizer desaforo. Esse pode roubar tudo, mas a minha honra ele não vai roubar. A esse vou responder com processo", disse o candidato do PMDB que, segundo a última pesquisa Ibope, divulgada na quarta-feira passada, tem 43% das intenções, ante 38% de Camilo. Com a margem de erro de três pontos porcentuais, estão tecnicamente empatados.

Entretanto, como os outros dois candidatos não alcançam uma porcentagem expressiva das intenções - Eliane Novas (PSB) tem 3% e Ailton Lopes (Psol), 1% -, a eleição pode ser decidida em primeiro turno no próximo domingo. Por isso, Ciro e Cid pediram empenho dos prefeitos: "Temos de concentrar esforços na Região Metropolitana e em Fortaleza, essa deverá ser a nossa estratégia. É o nosso objetivo", disse o governador, que se licenciou até domingo para fazer campanha por seu candidato. Na segunda, Cid chegou ao evento dirigindo um jipe amarelo, com Camilo e o candidato ao Senado Mauro Filho (Pros) em pé, cumprimentando os correligionários.

Cid deu espaço para que os prefeitos dessem suas sugestões pelo microfone. Ivan Neto (Pros), de Aratuba, sugeriu que os prefeitos "façam com que todos os seus secretários abandonem a prefeitura e vão de casa em casa" pedir votos por Camilo. "Respondam depois na Justiça", disse. 

Cumprindo agenda em outro ponto de Fortaleza, Eunício afirmou que, enquanto o Ceará sofre com problemas na segurança pública e na saúde, o governador "abandonou o governo para pressionar prefeitos" e usar dinheiro público para buscar o "terceiro mandato". O senador também criticou Cid por tirar licença enquanto o Estado sofre com a seca. "Seca maior é se um cabra ruim ganhar a eleição", rebateu na segunda o governador.

Até este ano, senador e governador eram aliados. Eunício tentou ser o candidato da situação, Cid não aceitou e o peemedebista então rompeu com os Ferreira Gomes e lançou candidatura própria. Nesta noite, Eunício e o candidato da situação, Camilo, vão se enfrentar no debate da TV Verdes Mares, a afiliada da Rede Globo no Ceará.

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