O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2013 | 02h05

Em tom de cobrança, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) encaminhou ontem um ofício ao Ministério das Relações Exteriores pedindo a concessão de passaportes diplomáticos a 14 de seus membros. A exigência é de que o Itamaraty libere os documentos aos gays da mesma maneira que fez a seis líderes evangélicos na semana passada.

"Passaportes diplomáticos não podem ser privilégio de uma religião, ou de um grupo. Senão é discriminação", afirmou Toni Reis, presidente da ABGLT, ao Estado. "Se deu para os evangélicos, tem que dar para a gente também."

Na carta endereçada ao ministro Antonio Patriota, Reis pede isonomia ao Itamaraty. Argumenta que a associação tem raio de atuação internacional e tem o status consultivo no Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ONU).

Normalmente, o governo justifica o pedido a líderes religiosos em razão do trabalho realizado em outros países. A emissão é restrita a duas pessoas por igreja e com validade máxima de um ano.

Procurado pelo Estado, o Itamaraty não garante que o pedido formalizado pela associação vá culminar na liberação dos direitos diplomáticos. Reis promete procurar o Ministério Publico se o benefício não for concedido.

Polêmica. A decisão da associação não foi bem recebida por algumas organizações que atuam na mesma área. "Esse passaporte diplomático a líderes evangélicos é uma vergonha e não se combate uma vergonha com outra", observou Beto de Jesus, secretário da International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (Ilga).

O presidente do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual, Eduardo Gomes de Mello, bateu na mesma tecla: "O correto seria lutar pela revogação de passaporte diplomático para homofóbicos e não pedir isonomia sobre algo irregular e imoral". / RICARDO CHAPOLA

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