Assessores econômicos trocam ironias no Rio de Janeiro

Holland atacou Pessôa e Bonomo, que criticaram governo Dilma em nome das candidaturas de Aécio e Marina

Idiana Tomazelli , O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 01h33

Em um debate bastante acirrado, marcado por ironias e provocações de todos os lados, nesta segunda-feira de manhã, no Rio, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, defendeu o governo Dilma Rousseff de ataques de economistas ligados aos dois principais adversários da presidente na disputa presidencial - Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB). O encontro foi promovido na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), no centro da cidade.

A certa altura, Holland questionou o rigor científico do economista Samuel Pessôa - da Fundação Getúlio Vargas e integrante da campanha de Aécio à Presidência. Em outro momento, o secretário chamou de “ingênua” a discussão sobre a independência do Banco Central, defendida por Marco Bonomo, professor do Insper e colaborador da campanha de Marina.

Em um dos momentos do debate, Holland afirmou, em defesa do governo, que o baixo crescimento da economia brasileira se deve à crise mundial, mesma alegação adotada pela presidente Dilma Rousseff. Pessôa respondeu que a desaceleração sofrida pelo Brasil foi mais intensa do que a de outros países vizinhos da América Latina e mesmo de outros continentes. O economista da FGV-Rio preferiu citar fatores específicos - como o aumento da presença do Estado na economia - como os verdadeiros responsáveis pelas mínimas taxas de crescimento do Brasil.

Rigor. “Samuel Pessôa é um respeitado acadêmico, mas já teve mais rigor científico”, ironizou Holland, sentado na cadeira ao lado da de Pessôa. O secretário disse ainda que os teóricos utilizados como referência pelo assessor econômico de Aécio já haviam sido superados por outros especialistas mais modernos.

A essa altura, a polêmica esquentou. Pessôa reagiu com uma provocação, afirmando que Holland devia estar em uma posição desconfortável.

“Sempre que a gente está num debate público, enfrenta uma discordância e a forma de enfrentá-la é sugerindo que seu oponente é ignorante ou lê pouco, quando se adjetiva muito, é sinal de que está em maus lençóis”, afirmou Pessôa.

A reação da plateia, composta em sua maioria por empresários, foi de demorados aplausos à frase do professor da FGV. Na saída, questionado sobre a polêmica, Holland desconversou, sorriu e foi embora sem fazer comentários.

“Ingênua”. Colaborador da campanha de Marina, Marco Bonomo defendeu a independência formal do Banco Central, uma das principais propostas da candidata do PSB para a macroeconomia. “Isso é para impedir que políticos atrapalhem a missão do BC de controlar a inflação”, argumentou Bonomo, em crítica indireta à gestão Dilma, apontada como intervencionista.

Bonomo deixou claro, na sua palestra, que em sua avaliação a autoridade monetária deve continuar a perseguir metas fixadas pelo governo. Em resposta, Holland voltou ao ataque. “É uma apresentação ingênua sobre prós e contras”, criticou o petista. “Não é necessariamente a discussão sobre a independência que faz o Banco Central mais eficiente.”

Bonomo disse que estava “surpreso” com o tom adotado pelo oponente e que não reconhecia o Brasil descrito pelo secretário. “Fiquei pensando: será que ele (Holland) não fica constrangido com esse tipo de programa (eleitoral), que diz que banqueiro vai tirar dinheiro das crianças e das famílias pobres? Acho que eu estava bastante errado, pois ele inclusive está utilizando diversas técnicas usadas no programa eleitoral.”

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