Assessor diz que não relatou viagem paga por doleiro porque 'não resultou em nada'

Para Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, foi um erro ter aceitado os bilhetes de Alberto Youssef. Senador Cícero Lucena afirma que pode exonerar seu assessor parlamentar

Andreza Matais e Fausto Macedo , O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2014 | 17h56

BRASÍLIA - O assessor parlamentar Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira afirmou ao Estado que não relatou sua viagem para São Paulo paga pelo doleiro Alberto Youssef para o senador Cícero Lucena (PSDB-PB) porque ela foi "totalmente improdutiva". Ele disse que foi um erro ter aceitado os bilhetes. "Não relatei ao senador uma viagem que não resultou em nada. A viagem foi totalmente improdutiva, não produziu nada. Era para tratar de investimento de fundo de pensão, nada de relevante." 

O senador afirmou nesta terça-feira, 9, que não tinha conhecimento da viagem do assessor para São Paulo e disse que se ficar comprovado que seu nome foi usado pelo funcionário vai exonerá-lo. O caso foi revelado pelo Estado. "Eu não tenho nada a ver com isso. Ele que responda o que fez por conta própria. Mas, se ficar comprovado que usou meu nome, vou exonerá-lo. Como meu assessor, ele não pode fazer o que quiser", disse o senador, que chegou nesta madrugada de viagem oficial a Cuba. Questionado, Oliveira, que assessora o senador desde 2007 na área de orçamento, afirmou que "não se lembrava" mais do assunto. "Foi um ato que aconteceu. Eu não me recordo. Não sei quem pagou as passagens. Meu erro foi aceitar os bilhetes." 


O senador Cícero Lucena afirmou que "nunca" ouviu falar no doleiro Alberto Youssef. "Nem sou candidato à reeleição porque só comprando a vaga e não tenho dinheiro. A política hoje está assim." Em um primeiro momento, ele considerou jogo de cena a decisão do colega Ciro Nogueira (PP-PI) de exonerar um assessor que também viajou para São Paulo com as despesas pagas pelo doleiro. Mauro Conde Soares admitiu nesta terça-feira, 9, ao Estado ter aceitado os bilhetes aéreos e viajado para tratar de investimentos de fundos de pensão municipais e estaduais. Em entrevista à rádio Estadão, Nogueira afirmou que renunciará ao mandato se ficar comprovado seu envolvimento com o doleiro. Os dois assessores deixaram os contatos do gabinete dos senadores com pessoas próximas de Youssef. O Estado teve acesso aos cartões profissionais que foram entregues. 

Lava Jato. Youssef foi preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, acusado de vários crimes, entre eles desvio de recursos de fundos de pensão. Os investigadores da Lava Jato trabalham com a informação de que Youssef prometia 10% dos valores alocados pelos fundos de pensão na empresa Marsans, em nome do doleiro. 

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