Assembleia deve investigar caso de ex-deputado, diz CGA

Depois de engavetar sumariamente investigação sobre venda de emendas parlamentares, a Assembleia Legislativa de São Paulo está às voltas com o caso do pastor Zé Bruno, ex-deputado (DEM) apontado como destinatário de dinheiro em espécie que teria sido repassado a ele por prefeitos e lobistas entre os anos de 2008 e 2009.

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2012 | 03h03

Chegou à Mesa da Assembleia, no início de fevereiro, cópia do inquérito conduzido pela Corregedoria-Geral da Administração (CGA), vinculada ao gabinete do governador.

Após 7 meses de apuração, a CGA concluiu que "não havia indícios de participação de servidor do poder executivo estadual". Segundo a CGA, "todas as denúncias foram feitas e atribuídas, à época, a pessoas do gabinete do ex-parlamentar (Zé Bruno), razão pela qual o procedimento foi encaminhado à Assembleia Legislativa".

A Corregedoria informou que "as obras citadas que teriam sido beneficiadas por meio de indicação parlamentar estão sendo fiscalizadas pela CGA".

Zé Bruno exerceu mandato entre 2007 e 2010. Guitarrista, hoje se dedica à sua banda musical, Resgate. Testemunhas citaram à CGA supostos intermediários do ex-parlamentar, identificados como Fabrício e Cremonesi.

Um denunciante afirmou ter visto Fabrício entregar a Zé Bruno "um maço de notas de R$ 100". Outro diz que uma ex-prefeita foi ao gabinete do então deputado e lhe entregou um envelope com dinheiro vivo. Zé Bruno nega, mas a Assembleia nunca investigou esse caso.

O mercado de emendas foi denunciado pelo deputado Roque Barbiere (PTB). Em agosto do ano passado ele revelou que entre 25% e 30% de seus pares negociam emendas e contou que alguns "enriqueceram bem". A Assembleia tem 94 deputados.

Barbiere não apontou nomes e o Conselho de Ética da Assembleia aprovou relatório dando fim à apuração. A documentação agora enviada pela CGA pode reavivar o escândalo no âmbito do legislativo.

A Assembleia ainda não sabe o que fazer com a papelada que recebeu da Corregedoria do governo. A assessoria do deputado Barros Munhoz (PSDB), presidente, informou que os documentos estão "sob análise". Para o deputado Campos Machado, líder do PTB na Assembleia, é remota a possibilidade de a apuração ficar sob responsabilidade da Casa. "Não tem sentido ficar essa peça isolada aqui (na Assembleia), fica fora do contexto. Por isso, (o inquérito da CGA) deve seguir todos os outros procedimentos que já foram encaminhados ao Ministério Público." / F.M.

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