Assembléia da SIP começa ‘de luto’ em Santiago

Atentados no Paraguai e no México contra jornalistas marcam a abertura da 70ª Assembleia-Geral da entidade no Chile

Gabriel Manzano, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 21h58

Em clima de indignação diante de mais dois crimes contra jornalistas - um no Paraguai e outro no México, ambos na quinta-feira - a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) abriu nesta sexta-feira, em Santiago do Chile, sua 70.ª Assembleia-Geral, que reunirá cerca de 400 jornalistas e executivos da comunicação de mais de 20 países da América Latina até terça-feira.

No primeiro atentado, quinta-feira, pistoleiros mataram a tiros o repórter paraguaio Pablo Medina, do jornal ABC Color, e sua secretária, quando voltavam de carro de uma investigação. “A morte de Medina enluta o início de nossas reuniões, cujo propósito é justamente reavaliar como se exerce a liberdade de imprensa e o trabalho de investigar em nossos países”, disse na abertura do encontro o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP, Claudio Paolillo.

O segundo crime foi o desaparecimento, na quarta-feira - a morte foi confirmada na sexta-feira -, da ativista María del Rosario Rubio, que combatia no Twitter grupos de crime organizado mexicanos.

Resumindo a situação nos últimos seis meses - desde o último encontro da SIP em Barbados - Claudio Paolillo citou outros oito crimes no continente - três em Honduras, dois no México, um na Colômbia, um em El Salvador e um no Peru.

O Brasil está representado, no encontro, pelo diretor executivo do Grupo RBS Marcelo Rech, que também integra o Comitê Editorial da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Ele apresentará amanhã o relatório sobre o Brasil. Nos seis meses decorridos desde o encontro de Barbados, não houve nenhum crime contra jornalista no País - mas o documento apontará um alto índice de agressões, prisões e casos de censura judicial, em grande parte relacionados com a campanha eleitoral.

Debates. O primeiro dia de debates da SIP foi dedicado à chamada “pequena mídia” - jornais locais, que convivem a sua maneira com o mundo digital. De manhã, foi apresentado um estudo sobre novas ferramentas digitais e ocorreram dois seminários. No primeiro deles, sobre “Chaves para relacionar-se com as audiências locais”, os jornalistas Luis Miguel de Bedout, da Colômbia, e Guillermo Cullel, do Chile, descreveram experiências de seus jornais para ampliar seus públicos, num ambiente que inclui o Facebook, o Twitter e outros meios.

No seminário seguinte, “Projetos Bem-sucedidos em Diários Regionais”, dois jornalistas relataram suas experiências, uma no México e outra na Espanha. Falaram de pequenos diários que precisam ter flexibilidade para se adaptar a novos ambientes, tendo de definir com clareza o que é notícia local, o que é nacional e qual delas será percebida como mais importante por seus leitores.

Nesta sábado, debates abordarão a organização editorial e o enorme impacto que vem tendo, a cada dia, o smartphone - cujo papel, como meio de informação, traz novos desafios para todas as mídias.

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