Artur Virgílio defende que PSDB deve renovar seus discursos

Prefeito eleito em Manaus propõe renovação em temas como meio ambiente, violência contra criança e participação da mulher

Alfredo Junqueira, de O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2012 | 18h33

MANAUS - O prefeito eleito de Manaus, Artur Virgílio (PSDB), quer que seu partido retome as bandeiras políticas de sua fundação que, segundo ele, foram apropriadas pelo PT. O tucano pretende promover uma reunião nacional para uma avaliação dos resultados eleitorais e um debate sobre os rumos da legenda.

Com o capital político obtido na vitória sobre a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), candidata que contou com o apoio da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e das principais lideranças locais, Virgílio pretende iniciar um movimento para que o PSDB recupere os "fundamentos de 1988".

"Deixamos que nossos adversários se apropriassem dos discursos aos quais eles se opunham na época do FHC (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso), como estabilidade econômica, responsabilidade fiscal e privatização", afirmou Virgílio ao Estado.

"O Lula chegou ao cúmulo de, em mais uma de suas bravatas, dizer que ofereceria o Proer ao (ex-presidente americano, George W.) Bush como solução ao grave problema financeiro que Estados Unidos passaram a enfrentar em 2008", queixou-se o prefeito eleito de Manaus, referindo-se ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), iniciativa do governo FHC muito criticada na época pelo PT.

O tucano também disse que é preciso que o partido renove seus discursos em temas como meio ambiente, violência contra criança, participação da mulher, entre outros. Ele fez uma analogia com uma pinacoteca para esclarecer o que propõe ao principal partido de oposição do País. "Precisamos retomar os quadros do nosso acervo e criar novas obras", explicou.

Para Virgílio, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tem "amplas condições" de liderar o partido nos próximos anos. O prefeito eleito voltou a criticar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, por, na sua avaliação, criar contradições com outras cidades e Estados do País.

O tucano de Manaus rompeu com o de São Paulo depois que este entrou com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), durante a campanha, questionando incentivos fiscais concedidos pelo governo do Amazonas. Virgílio teve que responder a adversários durante todo o período eleitoral que acusavam o seu partido de ser contra a Zona Franca de Manaus.

"O Aécio é um líder talentoso e que tem sensibilidade, próprio de um neto do ex-presidente Tancredo Neves e do ex-deputado Tristão Ferreira da Cunha, outra importante liderança", disse Virgílio. "Já o Alckmin não consegue enxergar para além de São Paulo e entra em contradição com os demais Estados e cidades do País. Parece que sua ambição é ser um Faria Lima, um governante reconhecido em São Paulo, mas que o Brasil só lembra nas transmissões da Corrida de São Silvestre", criticou o prefeito de Manaus.

Vitrine. Virgílio admitiu que sua gestão na capital do Amazonas será uma vitrine para o PSDB no País, mas ressaltou que trocaria "mil vezes" essa oportunidade por uma vitória de José Serra em São Paulo. Segundo o prefeito eleito de Manaus, os paulistas perderam "uma grande oportunidade" ao derrotar Serra e eleger Fernando Haddad (PT) no domingo, 28.

O tucano voltou a afirmar que vai procurar a presidente Dilma, para estabelecer parcerias e trazer recursos para investimentos em Manaus. E alfinetou os adversários ao dizer que conta com os senadores do Estado para estabelecer os contatos entre a cidade e o governo federal.

Além de Vanessa, o Amazonas tem Eduardo Braga (PMDB), que é líder do governo e que foi o principal articulador da candidatura de sua adversária, e o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR) em sua bancada no Senado.

Dois anos depois de sofrer sua pior derrota política, ao perder a reeleição ao Senado justamente para Braga e Vanessa, Virgílio obteve sua revanche no domingo com 603.483 votos (65,95% do total). A candidata do PCdoB ficou com 311.607 (34,05% do total).

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